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27 de fevereiro de 2018

A arte que vem da argamassa

A A. Yoshii Engenharia, uma média empresa de construção civil com sede em Maringá, no Paraná, deu sentido sustentável ao refugo de suas obras. Pelas mãos criadoras de donas de casa e membros da comunidade, massa corrida, barricas, pedaços de azulejo e restos de MDF estão virando cestos, embalagens para vinho, vasos e cachepots. É empresa nipônica, mas tem alma japonesa pura. Se trabalhasse com papel, a Yoshii faria origamis.

O reaproveitamento de materiais que sobram das obras faz parte do projeto Criando Arte, que o Instituto Atsushi e Kimiko Yoshii lançou em 2007, um ano depois de sua própria fundação. Mais de 800 alunos participam anualmente das três oficinas de artesanato oferecidas à comunidade, de março a novembro, em aulas ministradas por cinco professoras da região. Ao longo de um ano são produzidas entre 900 a 1.000 peças que são vendidas pelos artesãos na própria comunidade, entre os funcionários ou para empresas locais que distribuem como brindes. “O aproveitamento da matéria-prima dispensada nas obras vira artesanato sustentável”, explica a supervisora do Instituto, Larissa Squizzato de Campos.

A Yoshii Engenharia tem o estilo abnegado de seu fundador, o engenheiro Atsushi Yoshii, mas o toque de Responsabilidade Social vem da mulher, Kimiko, diretora social da empresa e presidente do Instituto Atsushi e Kimiko Yoshii. Ela também preside a Guarda Mirim de Londrina, uma instituição apoiada pelo Instituto que, apesar do nome, não tem relação alguma com segurança e dedica-se à formação profissional de adolescentes de baixa renda da região. É fato, porém, que ao ser fundada, em 1965, e até alguns anos depois, era conduzida pelos princípios da guarda municipal. Assim, formava os alunos com base na disciplina militar.

Com o tempo a instituição mudou o enfoque e passou a atuar com fundamentos da pedagogia educacional, tendo ainda aulas de música, arte e o aprendizado profissional. Desde que passou a presidir a Guarda Mirim, a empresária Kimiko deu um choque de gestão na instituição, promovendo uma reestruturação administrativa e financeira e reorganizando o sistema de participação dos mantenedores. “Apoiar projetos voltados para a educação e a cidadania faz parte da missão e da razão de ser do Instituto Yoshii”, diz Larissa.

Este ano, estão matriculados na Guarda Mirim cerca de 840 jovens, entre 14 e 18 anos, que estudam na sede da instituição, em Londrina, e nos distritos de Lerroville e Guaravera. Os estudantes, que fazem o curso no contraturno escolar, são orientados para a autonomia e autossuficiência nas tarefas. Um bom exemplo disso é a limpeza das instalações utilizadas para as aulas, feita pelos próprios alunos.

Em muitos projetos voltados às populações carentes da região, o Instituto trabalha no sistema de voluntariado, seja com os próprios colaboradores ou em parceria com a comunidade, que participa de campanhas de arrecadação para instituições carentes de Londrina. Para incentivar a coleta seletiva de lixo, distribui cartilhas aos moradores, ao mesmo tempo em que incentiva a comunidade a usar corretamente as lixeiras, separando o lixo orgânico do reciclável por meio de palestras, principalmente em escolas. O Instituto é parceiro do SESI na execução do Projeto Click, o qual tem o objetivo de transmitir a informática básica a colaboradores e familiares do Grupo A.Yoshii. O SESI oferece o material didático e disponibiliza um professor para as aulas.

Em outra frente de Responsabilidade Social voltada para a cultura, o Instituto Atsushi e Kimiko Yoshii apoia o grupo londrinense Ishindaiko, que dissemina a tradição do taikô, arte milenar japonesa do tambor usado como instrumento musical. O Ishindaiko, além da arte, prega a disciplina, o respeito e a concentração e faz apresentações no Brasil e no exterior, divulgando o ritmo dos tambores e a cultura japonesa. O apoio não é gratuito. As batidas retumbantes dos taikôs talvez remontem aos antepassados dos Atsushii em alguma aldeia distante do Japão.

Gente em construção

O Grupo A. Yoshii Engenharia parece ter bom trato com gente. Em 2017, integrou, pelo terceiro ano consecutivo, o grupo das 35 melhores empresas do País em gestão de pessoas, segundo a publicação Valor Carreira, do Valor Econômico, que analisa empresas inseridas em sete categorias de acordo com o número de funcionários. A construtora é a terceira melhor empresa em gestão de pessoas na categoria entre 1.501 a 3.000 funcionários no país.

Com o índice de 90% no quesito engajamento e 81% no quesito satisfação, o ranking destacou a política de desenvolvimento de pessoas da construtora que inclui capacitação no local de trabalho, palestras, workshops e convenções para equipes operacionais, além de atividades como treinamentos, mentorias, coaching e oratória para lideranças e áreas administrativas. Outro destaque foi o projeto de alfabetização em parceria com o SESI, que atende atualmente 60 trabalhadores. Outros cerca de 50 empregados recebem bolsa de até 20% em cursos de graduação ou de 50% a 100% em cursos de pós-graduação ou MBAs.

A transparência e a comunicação com os empregados também somaram pontos para a Yoshii, por conta dos acompanhamentos diários e quinzenais de desempenho e das avaliações anuais que servem de orientação para o crescimento dos profissionais. Outro destaque foram as ações de Responsabilidade Social do Instituto Yoshii voltadas para os empregados e extensivas aos familiares, como eventos comemorativos e a realização de cursos de artes, com reaproveitamento de material reciclado transformado em produtos que, ao serem vendidos, geram renda extra para as famílias.

A A. Yoshii Engenharia foi fundada em 1965. Possui sede em Londrina, Maringá e Curitiba e atua nos segmentos de incorporação residencial e obras de empreitada, contratadas por clientes de diversos segmentos da economia. Nestas cinco décadas de história, foram cerca de 2 milhões de metros quadrados construídos, no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.

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