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20 de abril de 2017

A beleza no combate à violência contra as mulheres

A Avon não quer ser conhecida apenas por tornar as mulheres mais bonitas, com seus batons, esmaltes, hidratantes e outros produtos de beleza. Não, para a Avon, empresa mundial de cosméticos, o embelezamento feminino, visto por muitos como futilidade, está ligado a valores maiores, como empoderamento e a saúde da mulher. Desde 2003, ano de sua criação, o Instituto Avon, braço de responsabilidade social da companhia no Brasil, vem financiando pesquisas, denunciando a violência contra a mulher e promovendo campanhas sobre a prevenção do câncer de mama. À frente dessa batalha está um exército de 1,5 milhão de revendedoras da Avon espalhadas por todos os estados brasileiros.

A violência contra a mulher é uma tragédia no Brasil. A cada dois minutos cinco mulheres são espancadas, quando não assassinadas por maridos, namorados ou amantes. Casos como o do goleiro Bruno, condenado pelo assassinato da modelo Eliza Samudio, depois solto pela Justiça e tratado como popstar, não são raros. Segundo a Secretaria de Política para Mulheres, uma a cada cinco mulheres é vítima desse tipo de delito no Brasil e cerca de 80% dos casos são cometidos por parceiros ou ex-parceiros.

É terrível, mas já foi pior. A promulgação da Lei Maria da Penha, como é conhecida a Lei 11.340/06, que completa dez anos, coibiu um pouco a violência doméstica contra as mulheres. Na última década, segundo demonstram pesquisas insuspeitas, esse tipo de delito contra as mulheres em geral teve uma queda de 10%, mas aumentou 54% entre as mulheres negras.

Mulheres negras e pobres são, por estatística, vítimas contumazes da violência. O Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, usando dados do Ministério da Saúde, analisou os registros de violência sexual e concluiu que 89% das vítimas de agressão doméstica são do sexo feminino, em geral com baixa escolaridade. Pior, do total, 70% são crianças e adolescentes. Mais: em metade das ocorrências envolvendo crianças, há um histórico de estupros anteriores, 70% cometidos por parentes, namorados, amigos ou conhecidos da vítima.

A violência contra mulheres no Brasil custou aos cofres públicos, em 2011, R$ 5,3 milhões somente com internações, segundo cálculos do Ministério da Saúde. Foram 5.496 hospitalizações no Sistema Único de Saúde (SUS) em decorrência de agressões. Além das internações, 37,8 mil mulheres, entre 20 e 59 anos atendidas no SUS, foram vítimas de algum tipo de violência. O número é quase 2,5 vezes maior do que o de homens na mesma faixa etária atendidos por esse motivo.

Mas, rica ou pobre, negra ou branca, a mulher é indiscriminadamente vítima desse tipo de delito. Recentemente, a ex-modelo Luiza Brunet, parceira comercial da Avon há mais de duas décadas, teve ofuscada suas aparições na mídia publicitária, onde divulgava um perfume com o seu nome, para ganhar espaço nas páginas policiais. Em julho do ano passado a ex-modelo, que a propósito apoia as causas do Instituto Avon, foi a público denunciar a agressão sofrida pelo agora ex-marido, o empresário Lírio Parisotto. Na ação que corre na Justiça, Luiza Brunet o acusou de agredi-la com um soco no rosto e ainda lhe ter quebrado quatro costelas. Fato acontecido em maio daquele ano, durante a viagem que o casal fizera a Nova Iorque. “Dei publicidade ao caso para que outras mulheres vítimas de violência tomem coragem e não se calem”, disse a empresária.

O silêncio das agredidas, seja por vergonha ou medo de represálias dos agressores, escapa das estatísticas de violência contra a mulher. O que não foi o caso de Luisa Brunet, pois, em seguida ao episódio, ela entrou com pedido de reconhecimento e dissolução de união estável contra Parisotto, que nega as acusações. O processo, sigiloso, corre na 4a Vara de Família e Sucessões de São Paulo.

Parisotto atua em vários setores, como o de petroquímica e de mídia, e aparece como um dos 600 homens mais ricos do mundo, com uma fortuna estimada em quase US$ 2,5 bilhões. Na venda do grupo RBS de Santa Catarina, afiliada à Rede Globo, para um grupo de investidores, ficou com 25% do negócio. Ele é segundo suplente do senador Eduardo Braga, pelo PMDB do Amazonas.

Os dados sobre violência contra a mulher dizem tudo. Segundo o Mapa da Violência, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), de cada 100 mil mulheres 4,8 são assassinadas, número que coloca o Brasil no nada honroso 5o lugar do ranking de países com esse tipo de crime. O lançamento da pesquisa conta com o apoio do escritório no Brasil da ONU Mulheres, da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. A gerente sênior do Instituto Avon, Daniela Grelin, chama a atenção para o fato de que a agressão física e a sexual não são as únicas formas de violência praticada contra as mulheres. “Há a violência psicológica, moral e patrimonial, que são igualmente graves e com consequências terríveis na vida das mulheres”, assegura.

O caso recente do ator global José Mayer é sintomático para ilustrar esse tipo de violência moral contra as mulheres. Acusado de assédio sexual pela figurinista Susllem Tonani, que levou o caso às redes sociais, o ator teve que reconhecer o delito e chegou a se retratar: “Mesmo não tendo tido a intenção de ofender, agredir ou desrespeitar, admito que minhas brincadeiras de cunho machista ultrapassaram os limites do respeito com que devo tratar minhas colegas”, disse em carta pública, o que não impediu de ter sido suspenso de atuar por tempo indeterminado pela Globo.

Anualmente, o Instituto Avon apoia pesquisas relacionadas à violência contra a mulher com o objetivo de educar e conscientizar a sociedade sobre o tema – especialmente os mais jovens –, com resultados amplamente utilizados e divulgados pela imprensa e por entidades ligadas à causa. Em 2015, a pesquisa sobre A Violência Contra a Mulher no Ambiente Universitário, feita em parceria com o Instituto Data Popular, ouviu mais de 1.800 estudantes de oito universidades do país.

Os dados revelados pela pesquisa são um retrato do ambiente machista que impera nessas instituições. Das entrevistadas, 67% disseram ter sofrido algum tipo de violência no ambiente universitário; seja sexual, psicológica, moral ou física. Pelo menos 56% disseram ter sofrido assédio sexual, e 28% afirmaram ter sido vítima de violência sexual (como estupro), tentativa de abuso quando sob efeito de álcool, ou tocadas em partes íntimas sem consentimento. Já 27% dos homens entrevistados não consideram violência abusar de uma garota alcoolizada. “A cultura machista, que aprisiona homens e mulheres, é o principal detonador da violência contra a mulher, mas a misoginia e o racismo também são fatores que acabam resultando nesse tipo de delito”, diz Daniela Grelin.

Nas ações de combate à violência contra as mulheres, o Instituto Avon atua em quatro frentes simultâneas. Uma na produção e divulgação de pesquisas, quantificando e abordando os diferentes ângulos da violência contra a mulher. Outra é a participação do Instituto, representado por especialistas, em fóruns de discussão sobre a temática, inclusive com propostas de aperfeiçoamento da legislação. Há uma frente mais permanente de ação, por meio da sua força de venda, com treinamento das revendedoras para participarem das campanhas. E por último, mas não menos importante, é a integração com os operadores do Direito – delegacias, promotores de justiça, advogados etc. – para a efetiva implementação da Lei Maria da Penha.

A violência do câncer de mama

Se a violência contra a mulher brasileira é preocupante, não são mais animadores os dados sobre a incidência de câncer de mama no Brasil. Trata-se nada menos do que a doença que mais mata mulheres no mundo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é que mais de 57 mil novos casos sejam descobertos no Brasil este ano. A realização frequente de mamografias em mulheres ainda sem os sinais ou sintomas da doença na mama, ou seja, aparentemente saudáveis, pode reduzir a mortalidade por esse tipo de câncer em cerca de 30%. Por isso, a recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia é de que a mamografia seja realizada anualmente por todas as mulheres a partir dos 40 anos. “Quando o tumor é percebido apenas na mamografia e não sentido na apalpação das mamas, o seu crescimento ainda está controlável, com maior chance de cura”, explica a mastologista Rita Dardes, consultora médica do Instituto Avon.

A prevenção do câncer de mama foi a primeira causa assumida pelo Instituto Avon. A campanha, que é liderada internacionalmente pela Avon com o nome Avon Breast Cancer Crusade, foi lançada em 1993 com o objetivo de salvar a vida de mulheres por meio da multiplicação de informação e projetos que facilitem o acesso aos exames de detecção precoce, como a mamografia, e diminuam o tempo para se chegar ao diagnóstico e tratamento.

No Brasil, o Instituto Avon tem sido o principal mobilizador da campanha Outubro Rosa, movimento que nasceu na década de 60 para estimular a participação da população no controle do câncer de mama. Em 23 de outubro do ano passado, em parceria com as revendedoras da marca, ONGs e entidades que trabalham para o combate do câncer de mama, a Avon promoveu uma grande mobilização nacional em cerca de 30 cidades. Nesses eventos os colaboradores da empresa arrecadam fundos para financiar pesquisas e ações patrocinadas pelo Instituto Avon.

O Giro pela Vida é outro evento promovido pelo Instituto Avon no âmbito das campanhas de prevenção do câncer de mama. De 7 a 12 de outubro do ano passado, mais de 94 mil pessoas passaram pelo evento, 4.779 assistiram a sessões de cinema ao ar livre e cerca de 500 mulheres de 40 a 69 anos fizeram mamografias gratuitamente na carreta do Hospital do Câncer de Barretos estacionada no Parque Ibirapuera.

Além disso, mais de 20 mil pessoas passearam na tradicional roda-gigante iluminada de rosa, que simboliza os altos e baixos que a mulher diagnosticada com câncer de mama passa durante o tratamento. Para acessá-la, bastava assistir a um vídeo de cinco minutos sobre a importância da prevenção do câncer de mama.

Outra campanha lançada pelo Instituto Avon para reforçar a importância da detecção precoce do câncer de mama é o “Juntas pra curtir, juntas pra se cuidar”, que procura estimular as mulheres a conversarem com suas amigas sobre o câncer de mama, criando uma rede de engajamento para o combate à doen­ça. A campanha, que está no ar nas redes sociais do Instituto Avon, conta com a participação da apresentadora Sabrina Parlatore, que lutou contra a doença recentemente.

Os projetos de combate à mortalidade por câncer de mama financiado pelo Instituto Avon já beneficiaram mais de dois milhões de mulheres. Já foram doados 37 mamógrafos e 25 aparelhos de ultrassom que, juntos, realizaram mais de 2 milhões de mamografias e 320 mil ultrassonografias, possibilitando a detecção de mais de 33 mil diagnósticos de câncer de mama. Desde 2003, o Instituto Avon já investiu R$ 61 milhões em 133 projetos e ações para o combate ao câncer de mama.

As formiguinhas do bem

As ações sociais da Avon são coordenadas pela Avon Foundation For Women, maior entidade privada focada em causas voltadas para a mulher. Com investimentos de mais de US$ 1 bilhão, a Avon Foundation For Women conta com a capilaridade e a monumental força de vendas da Avon, um exército de mais de 6 milhões de revendedoras espalhadas por 70 países.

No Brasil, as campanhas de combate à violência contra a mulher e a prevenção do câncer de mama são coordenadas pelo Instituto Avon, o braço de Responsabilidade Social da empresa. O engajamento das revendedoras da empresa, que levam produtos e informações às suas clientes, se consolidou como a maneira mais eficaz de disseminar as causas de combate à violência contra a mulher e a prevenção do câncer de mama. As revendedoras somam no País mais de 1,5 milhão e se espalham como formiguinhas em todos os municípios. Desde 2003, o Instituto Avon já investiu no País R$ 122 milhões em 235 projetos e ações relacionadas às suas causas.

O financiamento dos projetos é feito a partir do ato da venda. A cada folheto produzido – são mais de 6 milhões impressos a cada 20 dias – existe um ou mais itens cuja receita retorna 7% para o Instituto Avon que, por sua vez, também tem seus próprios produtos que são criados em sintonia com as
suas causas. Uma gargantilha ou uma pulseira, por exemplo, tem um enlace rosa, cor que remete à campanha de prevenção do câncer de mama.

Além dos folhetos de produtos – para gerar fundos às suas causas e, claro, sua marca –, a empresa promove eventos com participação de milhares de pessoas em várias partes do mundo, onde distribui materiais informativos.

O empoderamento da Avon Brasil

O Brasil, disse recentemente Sheri McCoy, CEO da Avon, é uma das apostas mundiais da companhia. Na subsidiária, o recado se refletiu, no último ano, em reforço no conceito de empoderamento da mulher e da diversidade explicitado nas campanhas da empresa. Em 2015, o comercial sobre conscientização do câncer de mama foi estrelado pela transexual Candy Mel, vocalista da banda Uó. Mais recentemente, no lançamento do BB Cream, um tipo de hidratante, a empresa passou a defender que o produto não deveria ser usado apenas por mulheres, mas também por homens.

As mudanças têm surtido efeito. As vendas, que vinham caindo, cresceram 27% no último trimestre do ano passado; isso a despeito de que, em 2016,
a subsidiária registrasse um recuo de 3% em sua receita no país. Na média global as vendas da companhia caíram ainda mais, com recuo de 7%, para
US$ 5,7 bilhões, com um prejuízo líquido da casa do bilhão de dólares.

Apesar do prejuízo, para Sheri McCoy houve grandes progressos em 2016, o primeiro ano de execução do plano de transformação da companhia. O plano inclui três pilares: investimento em crescimento; redução de custos em um esforço de continuar a melhorar a estrutura de custos; e aumentar a resiliência financeira da companhia.

Em três anos, a Avon espera investir US$ 350 milhões em negócios, sendo que US$ 150 milhões serão em mídia e venda, e US$ 200 milhões relacionados à transformação no modelo de serviços e informação tecnológica.

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