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30 de abril de 2019

A copa do mundo é da cidadania

Uma tabelinha entre Raí e Leonardo, dois tetracampeões mundiais de futebol, só podia dar em Gol de Letra. É o nome da Fundação criada pelos dois ex-jogadores, que tem como bandeira a educação integral para crianças e jovens de comunidades socialmente vulneráveis. Às vésperas de completar duas décadas de vida, com duas unidades, uma na Vila Albertina, em São Paulo, e outra no bairro do Caju, no Rio de Janeiro, além de uma representação na França, a ONG já prestou atendimento direto a mais de 15 mil crianças e adolescentes.

Reconhecida pela UNESCO como modelo mundial no apoio ao desenvolvimento de crianças em situação de risco social, no ano passado, a ONG beneficiou diretamente 4.600 crianças, adolescentes, jovens e adultos em seus programas. Foram ainda registrados cerca de 8.700 participantes em atividades abertas voltadas para as comunidades onde atua. “Vamos comemorar nosso aniversário de 20 anos com a sensação de que estamos fazendo a nossa parte”, explica a diretora Executiva, Beatriz Pantaleão. Na comemoração será publicado o livro “Gente é para brilhar”, nome tomado emprestado de uma música de Caetano Veloso, no qual serão narradas histórias de jovens que passaram – e superaram dificuldades na vida –
pela Gol de Letra.

Além das unidades no Rio e São Paulo, desde 2002, a Gol de Letra tem uma representação institucional em Paris, onde promove atividades de relacionamento, eventos, parcerias e mobiliza recursos de empresas no exterior para projetos executados no Brasil. A vinculação com a França deve-se à ligação dos fundadores da ONG, Raí e Leonardo, com o Paris Saint-Germain, da França, onde, em meados da década de 1990, quando estavam no auge de suas carreiras, atuaram pelo clube. Até hoje os dois mantêm vínculos com o País.

Entre as ações promovidas pelo escritório em Paris, por meio da Associação Gol de Letra França, iniciativa criada por voluntários, está a edição anual do Trophée Gol de Letra – campeonato de futebol entre empresas que visa à captação de recursos –, e a organização da etapa francesa do intercâmbio de jovens – realizado em parceria com a instituição esportiva francesa Sport dans la Ville.

Embora tenha o DNA do futebol, a Fundação não é uma descobridora de talentos da bola e nem pretende preparar jogadores para a disputa dos gramados. O que chega a ser irônico, uma vez que foi justamente nessa prática, como jogadores de futebol, que seus mentores, Raí e Leonardo, chegaram ao topo de suas carreiras. Na verdade, no ideário da Fundação, o “gol de letra”, expressão corriqueira do vocabulário futebolístico, é muito mais uma alusão ao saber intelectual, das letras, e não do rendimento esportivo. Algo como vencer por meio do estudo. “O esporte é um carro-chefe do nosso trabalho, mas não está voltado para o rendimento”, explica Beatriz Pantaleão. “Disseminamos, sim, os valores do esporte, o saber perder e ganhar, o obedecer regras, que na verdade são valores de cidadania”. Nesse sentido, na ONG, a atividade esportiva serve para ajudar a capacitar os jovens para vencer as adversidades da vida. Para tanto, atua com sete programas que têm como foco a educação, o mercado de trabalho e, de quebra, o esporte.

Os nomes dos programas da Gol de Letra, do mesmo modo com o qual a Fundação foi batizada, brincam com expressões corriqueiras do vocabulário futebolístico. Mas o fato é que ninguém está aí para brincadeiras. O Programa Jogo Aberto, criado em 2004, oferece práticas esportivas, educação integral e fortalecimento da cultura do esporte e do lazer para crianças e adolescentes entre seis e 17 anos. No Rio, as atividades socioeducativas como futsal, ginástica rítmica, judô e tênis de mesa, além do apoio pedagógico e educacional, são realizadas no contraturno escolar, beneficiam anualmente mais de 2.000 moradores dos bairros do Caju e Barreira do Vasco.

Por meio da prática esportiva diá­ria não seletiva, leitura e escrita, informática e apoio à alfabetização, o programa busca estimular o desenvolvimento pessoal e social e a cidadania dos indivíduos. Em São Paulo, o Jogo Aberto oferece 15 modalidades esportivas e lazer para a comunidade, atua no Núcleo de Esporte e Desenvolvimento (NED) e também em parceria com cinco escolas públicas da região, além de ocupar espaços públicos com eventos de rua.

Outro programa da Gol de Letra, o Dois Toques, é rrealizado no Complexo do Caju, no Rio de Janeiro, onde a sede da instituição é palco de atividades esportivas, lazer, leitura, escrita e informática. Por meio dessas linguagens, busca contribuir para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes, com idades entre seis e 15 anos. Em 2017, o Dois Toques atendeu 302 pessoas.

Além das atividades regulares com crianças e adolescentes, o Dois Toques ofereceu 12 vagas para a formação de jovens monitores (de 15 a 18 anos), 40 vagas para aulas de ginástica para adultos e desenvolveu práticas esportivas de lazer e recreação, beneficiando 150 alunos de escolas públicas do bairro do Caju. O Projeto conta ainda com oficinas de letramento e alfabetização, nas quais são trabalhados conceitos e técnicas de leitura, escrita, interpretação de texto, criação artística e uso da tecnologia como ferramenta de pesquisa, relacionamento social e aprendizagem.

Na boa onda da diversidade, visando estimular a participação de meninas na prática esportiva, a Fundação Gol de Letra lançou em 2016 o projeto Gol pela Igualdade. A iniciativa é protagonizada pela City Foot­ball Foundation, da Inglaterra, que apoia ações em todo o mundo que utilizam o futebol como ferramenta de transformação social. Além de ações e debates sobre igualdade de gênero, o projeto inclui oficinas e capacitações para jovens monitores e profissionais da Gol de Letra.

Em junho de 2017 três jovens monitoras e dois integrantes da Gol de Letra foram selecionados para participar do Young Leaders Summit, em Manchester, na Inglaterra. Durante cinco dias o grupo participou de capacitações sobre liderança juvenil e trocou experiências com jovens de outras organizações sociais de nove países, também apoiadas pela City Football Foundation.

Criada em 10 de dezembro de 1998, data em que se celebra o Dia Internacional dos Direitos Humanos, a Gol de Letra foi uma ideia dos jogadores Raí Souza Vieira, o Raí, que atuava como meia, e Leonardo Nascimento de Araújo, o lateral-esquerdo Leonardo, com a participação, na época, de suas respectivas esposas, Beatriz Pantaleão e Dirce Cristina Belíssimo. Raí, o mais atuante, preside a Gol de Letra com a participação eventual de Leonardo, que hoje é diretor esportivo do Milan, da Itália. Das ex-esposas, somente Beatriz é atuante na Fundação.

Às vésperas de completar 20 anos de existência, não faltam reconhecimentos para a Gol de Letra. No ano passado a Fundação entrou para o seleto clube das 100 Melhores ONGs do Brasil, de acordo com guia inédito lançado pelo Instituto Doar e a Revista Época, que tem como objetivo reconhecer as boas práticas de gestão e transparência no Terceiro Setor, além de incentivar a cultura de doação no País.

Também em 2017 a ONG figurou entre as três finalistas regionais (São Paulo) na categoria Grande Porte do Prêmio Itaú Unicef 2017 – Educação Integral: Parcerias em Construção. O “Projeto Sexualidade em Ação: Dialogando sobre Adolescência, Cidadania e Prevenção”, realizado em parceria com a EMEF João Ramos Pernambuco Abolicionista, na Vila Albertina (São Paulo), foi reconhecido entre mais de 1.600 iniciativas de todo o Brasil, nesse que é um dos mais importantes prêmios do terceiro setor no País.

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