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17 de setembro de 2019

ABA desenvolve competências socioemocionais em crianças em situação de vulnerabilidade social

Desde 2012, a Associação Beneficente dos Funcionários do Grupo Allianz Seguros (ABA) vem mudando a realidade da Comunidade Santa Rita, na Zona Leste de São Paulo, com um programa de atividades socioeducativas que ensina crianças e adolescentes a lidar com conflitos e emoções.

Na Comunidade Santa Rita, na Zona Leste da capital paulista, as casas de alvenaria crua se aglomeram em ruas estreitas sem calçadas nem árvores. Seus mais de 7.000 moradores convivem diariamente com o acesso limitado à infraestrutura básica de saúde e educação, com o transporte público precário e com ligações clandestinas de água, luz, esgoto, internet e TV a cabo. Não raro, testemunham as disputas violentas entre quadrilhas pelo comando do tráfico de drogas.

Mais conhecida como Favela Caixa d’Água, a comunidade ocupa uma área de 17,5 mil m2 entre os bairros de Cangaíba e Engenheiro Goulart, próximo ao Parque Ecológico Tietê, às margens da rodovia Ayrton Senna e na divisa com o município de Guarulhos. Resultado de invasão de terra iniciada no começo dos anos 90, a favela conquistou algumas melhorias depois da regularização fundiária, em 2017, mas ainda sofre com a falta de coleta de lixo porta a porta e com parte das ruas ainda de terra e sem CEP.


Viela na Favela Caixa d’Água e suas casas em alvenaria crua (foto: Reprodução)

Não há hospitais nas redondezas, somente uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e uma Assistência Médica Ambulatorial (AMA), que não presta atendimento à noite ou aos finais de semana. De acordo com dados de um levantamento de 2016 feito pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM), da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a faixa de renda familiar na Santa Rita é de 0 a 3 salários mínimos, e o grau de escolaridade da maioria dos moradores é o ensino fundamental.

Foi essa situação de vulnerabilidade social que levou um grupo de colaboradores da Allianz Seguros Brasil a criar, em 1994, uma associação que desse acolhimento aos filhos de mães que trabalhavam o dia todo ou que saíam para procurar emprego.  Inicialmente, a Associação Beneficente dos Funcionários do Grupo Allianz Seguros (ABA) funcionava como uma creche, atendendo 120 crianças entre 1 mês e 4 anos, mas ao longo dos anos expandiu seus serviços para suprir as novas demandas que surgiram com o desenvolvimento da região.

Hoje, o atendimento dos pequenos até 4 anos é feito pela rede pública, e a entidade mantém atividades socioeducativas para crianças a partir de 4 anos e adolescentes de até 16 anos, em horário alternativo à escola. Também atende adultos, terceira idade e jovens prestes a ingressar no mercado de trabalho. Com 25 anos de atuação em “educação para a vida”, a ABA já atendeu mais de 6.000 crianças e adolescentes, preparando-os para lidar com conflitos e emoções em ambientes vulneráveis. Somente no ano passado 650 pessoas dentro do seu público-alvo foram atendidas.


Aula de desenvolvimento socioemocional do Núcleo de Convivência Socioeducativo (foto: Divulgação)

“Nossa missão é gerar oportunidade de crescimento pessoal e social por meio de atividades socioeducativas que contemplem a capacidade de transformar potenciais em competências”, diz Rose Oliveira, diretora da associação. “Nossas atividades são definidas de acordo com cada núcleo, respeitando a faixa etária e o desenvolvimento de cada habilidade nas etapas de crescimento da criança”. A associação se apoia no tripé aprendizagem significativa, desenvolvimento socioemocional e diversidade.

Com um orçamento anual de R$ 1,8 milhão e recursos obtidos por meio da contribuição de funcionários e empresas da Allianz Brasil e de instituições parceiras, a ABA tem capacidade para atender 344 crianças, 212 adolescentes e 94 adultos, oferecendo aulas gratuitas de artes visuais, baby class ballet, balé neoclássico, cultura digital e esportes. No ano passado, a estratégia de responsabilidade social corporativa inovadora aplicada na ABA rendeu à Allianz Brasil o prêmio Fundo de Inovação Social. A ABA concorreu com projetos de 22 países e aplicou o dinheiro do prêmio (20 mil euros) na implantação do Centro Digital para Crianças e Adolescentes, cujo objetivo é disseminar conhecimento de lógica e programação para seu público-alvo.

O projeto premiado da ABA começou em 2012, quando a entidade passou a aplicar em suas atividades o Programa de Desenvolvimento Socioemocional (Prodese), uma metodologia baseada no currículo PATHS (Promoting Alternative Thinking Strategies), nos preceitos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O PATHS defende que a chave para a formação de uma sociedade mais segura está no conhecimento que cada um tem de si mesmo. Já a BNCC indica as competências necessárias para o século 21. A proposta pedagógica do projeto estimula a participação ativa e o desenvolvimento do senso de responsabilidade nas crianças e adolescentes, em um processo de construção do conhecimento conjunto e contínuo.


Aula de educação física do Núcleo de Convivência Socioeducativo (foto: Divulgação)

Segundo a diretora da ABA, com o Prodese a criança aprende que pode observar, reconhecer sentimentos em si e nos outros, avaliar comportamentos e situações e, com base nessas informações, solucionar problemas de ordem interpessoal. “Se ela entende o que sente, pode reconhecer como essas emoções influenciam seus atos e, aprendendo estratégias, se fortalecer e reagir de maneira melhor aos desafios encontrados”, explica Rose. “Com isso, a criança acaba se tornando um adulto confiante, entendedora de seus desafios e com consciência de suas reações”.

Os maiores benefícios dessa metodologia é que as crianças e os adolescentes passam a respeitar pontos de vista distintos, valorizando o trabalho cooperativo e o diálogo para resolver conflitos. Para a professora Norma de Souza, que leciona na escola pública onde grande parte das crianças da comunidade estuda, o programa da ABA tem outros aspectos positivos. “Esses jovens criam noções de responsabilidade e amadurecimento, estão mais educados, receptivos a regras e disciplina, concentrados e tranquilos”, diz ela. “Antes, percebíamos traços muito fortes de irritação e inclinação à violência”.

Isabella Batista Cardoso, 10, que frequenta a ABA desde os seis anos, diz ter aprendido com as atividades da ABA como o emocional pode atrapalhar. “A gente aprende coisas que muita gente não teve a oportunidade e faz toda a diferença quando estamos num momento de raiva, de problema, ou quando vemos alguém assim e podemos ajudar”.

Rogéria Maria Larsen, mãe do aluno Joaquim, 8, já percebeu a mudança do filho. “Vejo meu filho cada vez mais questionador e mais receptivo a novas ideias e contradições”, diz. Na casa de Nadia Guerrero Humberg, os irmãos Sophia, 8, e Guilherme, 5, “têm realmente tentado entender um ao outro e pensado duas vezes para evitar conflitos que antes eram comuns”.

Divisão por núcleos

O atendimento na ABA está dividido em três núcleos. No Núcleo Infantil de Expressão Artística Vida Nova, crianças de 4 a 6 anos têm atividades focadas em baby class ballet, artes visuais e desenvolvimento socioemocional. No Núcleo de Convivência Socioeducativo Vida Nova, crianças de 7 a 10 anos têm aulas de dança, esportes, arte e tecnologia. No Núcleo de Inovação Digital Vida Nova, adolescentes de 12 a 15 anos têm atividades voltadas para a familiarização com a tecnologia (edição de imagens e vídeos com Photoshop, After Effects e Illustrator), mesclando o conhecimento da informática a outros saberes, como social e artístico.


Atividade no Núcleo de Inovação Digital Vida Nova (foto: Divulgação)

A entidade mantém ainda o Programa de Desenvolvimento Estudantil e Profissional para Adolescentes, realizado em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), que ensina competências básicas que auxiliam na busca do primeiro emprego e na compreensão das relações próprias do mundo do trabalho; o Programa de Ações Sustentáveis, que estimula o interesse por ações de mobilização pela preservação do meio ambiente e pela valorização do espaço comunitário por meio de projetos; o Programa de Língua Estrangeira, que, partindo do aprendizado do espanhol, estimula a curiosidade em conhecer outra cultura; o Programa de Informática para Adultos, que amplia o acesso digital de moradores da comunidade, adultos e terceira idade e os ensina a utilizar os recursos tecnológicos de forma criativa, reflexiva e ética; e o Núcleo Digital, cujo foco é empreender novas descobertas por meio de processos virtuais. Os adolescentes utilizam softwares associados e conhecimentos em história da arte e relacionam diversas mídias e múltiplas maneiras de se expressar.

A pedagogia por projetos é aplicada nas atividades de todos os núcleos e programas da ABA. No começo de cada ciclo, os tutores dão aos alunos um objetivo concreto, e eles devem selecionar informações significativas, tomar decisões, trabalhar em grupo e gerenciar o confronto de ideias para, com planejamento, atingir o propósito definido. Essa maneira de trabalhar leva em consideração as habilidades e os conhecimentos prévios das crianças e adolescentes, que acabam exercitando sua capacidade analítica, de interpretação e de poder de crítica diante dos desafios que surgem ao longo do desenvolvimento do projeto.

Os projetos desenvolvidos pelos alunos da ABA são apresentados à comunidade, à imprensa e aos executivos da Allianz ao fim de cada período. Faz parte do processo de aprendizagem, pois ajuda a desenvolver a autoestima e a autonomia.  “Nas mostras de artes visuais, digitais e de dança, as crianças e adolescentes da ABA apresentam o melhor de seus trabalhos e demonstram que estão aprendendo muito bem a observar a realidade e a interferir para tornar seu entorno um lugar melhor”, conclui Rose.

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