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15 de maio de 2017

As cinderelas da Serra da Canastra

Um ônibus com 25 camareiras da Rede AccorHotels partiu de São Paulo na manhã de 23 de março passado com destino à Serra da Canastra, em Minas Gerais, para uma viagem de sonhos. Não, dessa vez elas não arrumariam quartos, nem trocariam lençóis e toalhas. Selecionadas por sorteio em várias unidades da rede hoteleira – Fortaleza, Recife, Florianópolis, Belo Horizonte, Santos, São Paulo e até de Santiago do Chile – elas participaram do projeto de sustentabilidade global Plant for the Planet, da AccorHotels. Durante quatro dias, numa espécie de tour ecológico, as sortudas conheceram ao vivo e em cores o projeto de replantio Accor na cidade de Capitólio, onde já foram plantadas 530 mil mudas em áreas degradadas, o equivalente a 418 campos de futebol. Tudo junto com passeios incríveis, música ao vivo e comida boa e farta.

O que as camareiras podem fazer pela sustentabilidade? Para a Accor, tudo. Criado em 2009, com o objetivo de incentivar os hóspedes a reutilizarem as toalhas durante sua estadia na rede hoteleira, o Plant for the Planet, que já plantou 5 milhões de árvores em 25 países, conta com a providencial ajuda das camareiras. São elas, afinal, as responsáveis pela arrumação dos quartos e, como arrumam as toalhas, podem incentivar ou não os hóspedes a sua reutilização. Parece elementar, mas, considerando o total de 4.100 unidades, entre hotéis, resorts e residências espalhadas em 95 países, onde a Accor opera, resulta numa grande economia de água, energia e sabão, entre outros itens.

O programa destina 50% da economia com a toalha reutilizada para o plantio em áreas degradadas, e o restante para ações de comunicação do programa. A Accor economiza, claro, e a natureza agradece. “Identificar que o hóspede quer reutilizar as toalhas é tarefa das camareiras”, explica Antonietta Varlese, vice-presidente de Comunicação e Responsabilidade Social da AccorHotels para a América do Sul. “O objetivo da viagem é ressaltar a importância das atividades desses colaboradores para o sucesso do programa e mostrar a eles o resultado na prática.”

As camareiras mostram-se colaborativas, sabem do seu papel no programa. O ônibus da alegria que levou as camareiras é quase um mini-hotel, com ar refrigerado, tevê, lanche a bordo, guia, entre outros mimos. Fez sua primeira parada em Pirassununga, ainda em São Paulo, num desses restaurantes de beira de estrada. As camareiras se alimentaram, tiraram fotos do lago de carpas e compraram souvenirs. Estavam exultantes, e muito mais ainda estaria por vir.

O grupo desembarcou em Capitólio à tardinha, quando o sol se escondia entre as montanhas da Canastra. Apesar do lusco-fusco, dava para ver o esplendor da natureza local. Cercada por montanhas, cânions, cachoeiras, grutas e águas esverdeadas em meio a um verde sem fim, a Canastra é uma espécie de paraíso perdido.

Na chegada, as camareiras foram acomodadas no Engenho da Serra, um amplo e confortável hotel de lazer, com direito a piscina aquecida, sauna e boa comida. Começava ali o sonho de Cinderela. Nos quartos do hotel, acomodadas em duplas, durante quatro dias, ao invés de servir, seriam servidas. De camareiras viraram hóspedes.

No jantar de boas-vindas, as camareiras assistiram a uma apresentação breve sobre o programa Plant for the Planet da Accor e leram num telão a visão que a rede hoteleira quer passar a todos os seus colaboradores: “Impulsionar a mudança para uma hospitalidade positiva, onde quer que estejamos”. Traduzindo, mudança significa engajar as camareiras – e todos seus colaboradores, inclusive os hóspedes – na cruzada corporativa contra o desperdício de água, alimentos, resíduos e tudo que, na rotina dos hotéis, impacte o ambiente. Isso inclui, por exemplo, a destinação correta do lixo, a economia de energia, o aproveitamento dos alimentos e a prioridade aos produtos locais na compra dos insumos. Em toda a rede a meta é reduzir o desperdício em 30%.

No dia seguinte, na visita ao viveiro de mudas da ONG Nordesta, parceira da Accor, as camareiras tiveram uma aula breve de sustentabilidade. No viveiro, uma área de 2 hectares dedicada exclusivamente ao cultivo de sementes e mudas, o engenheiro ambiental Clayton Majela Silva deu lições básicas de consciência ambiental. As camareiras aprenderam como cultivar uma horta e conheceram algumas das 200 espécies do banco de sementes do viveiro, a maioria nativa, como olho-de-pavão vermelho, ipê-verde, jatobá, mogno, saraguagi, caroba, peroba-rosa. Coletadas nas fazendas localizadas em mais de 20 municípios vizinhos, as sementes são preparadas para o cultivo das mudas até serem plantadas em regiões degradadas. Algumas das espécies são replantadas em logradouros públicos e outras comercializadas junto a entidades privadas.

No fim da visita ao viveiro, as camareiras ganharam, cada uma, um kit de plantio da rosa-do-deserto, uma flor vermelha e exuberante, importada da Tailândia, que se adapta com facilidade ao ambiente local. “É um aprendizado incrível, que vou levar para o resto da minha vida!”, animava-se Cláudia Marcia de Barros, lotada na unidade Ibis, de Florianópolis.

Na sequência, o grupo foi conhecer a área de plantio, a conexão final em que as toalhas reutilizadas transformam-se em árvores. O local visitado, a Fazenda Boca da Mata, uma área de 50 hectares localizada próxima à nascente do Rio São Francisco, pertence a Antonio Francisco da Silva. Lá, onde ele cria 50 cabeças de gado e cultiva uma pequena lavoura de milho, a chuva escassa tem prejudicado o seu negócio.

Devastada pelo uso indevido do solo e pela pecuária irregular, a nascente do local, que jorrava água em abundância, há alguns anos vem dando sinais de exaustão. Com o desaparecimento de mata ciliar, aliado a escassez de chuvas, as margens do rio já não retêm umidade, forçando com isso o assoreamento do rio e a estiagem num ciclo de devastação prolongado. “Aqui eram seis meses de chuva e seis meses de seca, mas agora há mais seca e quase não chove”, queixa-se o agricultor.

Vai demorar um pouco para a água voltar. O processo de recuperação da mata ribeirinha, que retém a umidade nas margens do rio, é longo. A ação da Nordesta, concentrada na região do Alto São Francisco, no Médio Rio Grande e no Araguari, começou em 2009 com o plantio de 3.200 mudas de árvores nativas no município de Nova Bonita. Hoje, com o apoio da AccorHotels e outros oito hotéis, já foram plantadas 530.000 mudas nessa área. A ONG calcula em cerca de 880 mil o número de pessoas direta e indiretamente atingidas na região pelo projeto.

Apesar de benéfica, a ação da Nordesta nas áreas devastadas enfrenta a resistência dos agricultores, especialmente dos pequenos proprietários. Muitos associavam a movimentação dos ambientalistas a invasões. Nos últimos cinco anos, porém, graças ao trabalho de conscientização junto aos proprietários, o replantio tem a anuência dos donos das fazendas. Os que aderem ao programa assinam um documento comprometendo-se a preservar a área recuperada. “Com a degradação das nascentes das quais dependem, os agricultores ficam mais sensíveis em abrir suas fazendas para o trabalho de recuperação dos biomas”, explica o engenheiro Majela Silva.

O projeto de sustentabilidade da Accor e todas as mensagens em prol da preservação do ambiente sensibilizaram as camareiras, que demonstravam curiosidade e a todo momento faziam perguntas aos especialistas. Mas as atividades de lazer incluídas no programa, que foi cuidadosamente preparado pela organização do evento, causaram grande encantamento. No passeio de barco no lago de Furnas, o “Mar de Minas”, como é chamado, as camareiras deslumbraram-se com o visual. Depois mergulharam no lago, banharam-se nas inúmeras cachoeiras ao longo do percurso, tiraram muitas fotos e selfies. Muitas, como Andreia Conceição de Santana Barbosa, 36 anos, nunca tinham visto uma cachoeira ao vivo. “Estou impactada com tanta beleza! Este lugar é uma dádiva divina!”, exclamou. Casada, três filhos, Andreia trabalha há cinco anos na unidade do Ibis Santos Gonzaga, em Santos.

O ônibus deixou Capitólio no quarto dia, num domingo, e as cinderelas se tornavam camareiras de novo. Elas voltaram para seus hotéis impregnadas de consciência ambiental e valorizadas pela importância do trabalho que exercem. Presenciaram como as toalhas reutilizadas viram árvores, nascentes, flora e fauna recuperadas. O sonho não acabou.

Toda a sustentabilidade será recompensada

No grupo Accor qualquer ação sustentável é bem-vinda e, quando replicada em toda a rede da Accor, os ganhos são exponenciais. As funcionárias Susane Zapelão e Vivian Prestes, que trabalham com marketing digital da rede hoteleira, desenvolveram um programa de redução de carbono para compensar o impacto causado pelos milhões de acessos de canais digitais.

As duas estão trabalhando com os parâmetros do Pur Projet, uma ONG parceira mundial da Accor, que estabelece o plantio de três árvores para cada tonelada de carbono emitido. Outras medidas indicam o dobro de árvores.

O trabalho partiu de uma pesquisa para mensurar o número de links e páginas acessadas na internet na rede inteira e, então, calcular o número de árvores a serem plantadas para compensar esse impacto.

Os resultados dessa análise, primeiramente com base no ano 2015, indicaram que será necessário plantar 124 árvores. “Mas vamos dobrar a pegada ecológica e dobrar o plantio”, esclareceu Susane.

Capitólio e a Canastra

Encravada na Serra da Canastra, Capitólio, com 9 mil habitantes, é a típica cidade do interior mineiro, com vida calma, boa comida, gente simples e hospitaleira.

No início da década de 60, quando se iniciou no local a construção da usina hidrelétrica de Furnas, para evitar que a região fosse inundada, o Rio Piruhim, afluente do Rio Grande, teve sua bacia transposta para a Bacia do São Francisco. Capitólio, então, ganhou um dos maiores lagos artificiais do mundo. Suas águas verde-esmeralda, que se espalham por 34 municípios em 1.440 km², proporcionam passeios paradisíacos de escuna, chalana, lancha e catamarã que passam por cânions de 20 metros de altura, cachoeiras e piscinas naturais.

Capitólio é um dos seis municípios mineiros que têm no seu entorno a geografia privilegiada da Serra da Canastra, uma área de 200 hectares de pura beleza preservada. A Serra abriga o Parque Nacional da Serra da Canastra, onde se encontra a nascente histórica do Rio São Francisco, no município de São Roque de Minas.

Com centenas de nascentes e vegetação exuberante de transição entre a “borda da Mata Atlântica” e o “início do Cerrado”, o Parque abriga inúmeras espécies da fauna e da flora do Cerrado, como o lobo-guará, o tamanduá-bandeira, o veado-campeiro, diversos gaviões e espécies ameaçadas de extinção como o pato-mergulhão e o tatu-canastra.

A cachoeira Casca d’Anta com aproximadamente 186 metros de altura é um dos principais atrativos do Parque, saindo de um corte natural da Serra, a 144 metros do topo; ou seja, a altura da Serra chega a 330 metros.

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