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27 de julho de 2017

Diagnóstico precoce vale uma vida

Se você está de dieta ou não come hambúrguer talvez não ache graça no palhaço com roupa amarela, de cabeleira vermelha e sapatos largos que saltita desengonçado em frente ao McDonald’s. Mas observe as crianças em volta. Estão às gargalhadas. É o McDia Feliz e o palhaço Ronald não para com as palhaçadas. Mas a atração principal da festa realizada todo ano, no último sábado de agosto, nos 800 restaurantes da rede no país, atende por Big Mac, seu principal e mais rentável sanduíche.

Nesse dia, o dinheiro arrecadado com a venda do sanduíche é destinado a instituições que lutam para combater o câncer infanto-
juvenil. Desde 1988, em sua primeira edição no Brasil, o McDia Feliz já arrecadou R$ 230 milhões, que foram aplicados na implantação de unidades de internação, ambulatórios, salas de quimioterapia, casas de apoio e unidades de transplante de medula óssea, entre outros projetos em benefício de crianças e adolescentes com câncer.

Maior campanha do país em prol de crianças e adolescentes com câncer, o McDia Feliz consegue despertar o melhor dos sentimentos, a solidariedade das pes­soas. No dia do evento participam representantes de empresas, franqueados, fornecedores, clientes, empregados e voluntários. Muitas crianças com câncer estão presentes e por hora parecem esquecer que estão doentes para rir das palhaçadas do Ronald.

Além dos Big Macs vendidos nas lojas no dia do evento, é adicionada à arrecadação a venda antecipada, que começa três meses antes, de tíquetes do sanduíche. Isso sem contar os produtos promocionais desenvolvidos pelas instituições beneficiadas. O tíquete é garantia de participação no McDia Feliz, e basta trocá-lo pelo sanduíche Big Mac no dia da campanha. No ano passado, dos mais de 1,5 milhão de Big Macs vendidos, 900 mil foram por meio de tíquetes. Com o dinheiro arrecadado, o Instituto apoiará 90 projetos.

Criado há 18 anos no Brasil, o Instituto Ronald McDonald, a exemplo do que faz nos 50 países onde atua, nasceu com a missão de “Promover a saúde e a qualidade de vida de crianças e adolescentes com câncer”. Pelo potencial de visibilidade, o McDia Feliz, entre as várias ações do Instituto, procura chamar a atenção e sensibilizar a sociedade para o câncer, a doença com maior incidência de óbitos entre a faixa de zero a 19 anos.

“O McDia Feliz é um sucesso consagrado, a maior mobilização por uma causa”, diz Ana Nicolini, gerente sênior de Programas e Mobilização Social do Instituto. A luta é dura, mas já há vitórias a serem comemoradas. Na década de 90, as chances de cura da doença no país eram de apenas 15%; hoje, ainda que sem o tratamento mais adequado, subiram para 30%. A melhor notícia, porém, é que, com diagnóstico precoce e as modernas terapias, a possibilidade de cura pode ultrapassar os 80%.

Além do McDia Feliz, outras campanhas e eventos estão sob a batuta do Instituto Ronald McDonald, que, em 18 anos de atuação, já arrecadou cerca de R$ 330 milhões em projetos pela cura da doença e impactou cerca de 3 milhões pessoas, entre crianças e adolescentes com câncer e familiares. Anualmente, com o objetivo de captar doações para sua causa, o Instituto Ronald McDonald realiza um torneio de golfe que tem entre seus participantes jogadores de golfe, personalidades e, claro, potenciais patrocinadores. Em 13 edições, o evento já arrecadou um total líquido de R$ 3 milhões. O XIV Invitational Golf Cup, realizado em junho deste ano, no Terras de São José Golfe Clube, em Itu, em São Paulo, teve o apoio de 33 empresas, que contribuíram com doações, produtos e serviços. Entre uma tacada e outra os 250 convidados contribuíram com R$ 227 mil.

A briga contra o câncer vem sendo levada pelo Instituto com a assinatura e o selo da gestão McDonald’s. O diagnóstico precoce, dado o seu grande potencial em salvar vidas, é um dos pilares do trabalho desenvolvido pelo Instituto na luta contra o câncer infanto-juvenil e baseia-se na capacitação dos profissionais de saúde para identificar sinais e sintomas do câncer em crianças e adolescentes. É bom mesmo antecipar-se à doença. Para 2017, estima-se a ocorrência no país de mais de 12 mil novos casos em crianças, adolescentes e jovens.

Essa luta é dificultada pelas condições dos hospitais credenciados pelo SUS. “Essas crianças são de baixa renda e dependem do sistema público de saúde”, explica Ana Nicolini. Por conta disso, o Instituto atua por meio de outro programa complementar, o Atenção Integral, que consiste no apoio a construções e reformas de unidades ambulatoriais e hospitais, aquisição de equipamentos e veículos para transporte de pacientes, projetos de apoio psicossocial, financiamento de pesquisas, patrocínios de fóruns, congressos e seminários, entre outros. Os dois programas foram criados especialmente para as ações do Instituto no Brasil, por conta das particularidades, ou melhor, precariedades, da saúde pública. Em 18 anos de atuação no país, o Ronald McDonald apoiou 1.497 projetos e 116 instituições.

A tarefa envolve várias frentes, e só quem tem um caso na família sabe do tamanho do problema. Além do tratamento em unidades adequadas para a oncologia pediátrica, é chave o apoio psicossocial à família que tem a criança ou o adolescente em tratamento, reduzindo o número de casos de abandono. Nos hospitais públicos, onde são submetidos a tratamento, os doentes e seus acompanhantes não têm um espaço adequado para aguardar a consulta ou esperar nos intervalos de uma quimioterapia. Para solucionar esse problema ou pelo menos amenizá-lo, o Instituto criou o Espaço Família Ronald McDonald, que oferece acolhimento para crianças e adolescentes em tratamento ambulatorial e para os familiares que os acompanham, inclusive em internações. Nesses locais, enquanto esperam, doentes e acompanhantes tomam banho, lancham e descansam.

A Casa Ronald McDonald completa o quarteto estratégico de programas de combate ao câncer infanto-juvenil. O programa oferece gratuitamente hospedagem, alimentação e suporte psicossocial para os pequenos pacientes com câncer e para seus familiares, que se encontram longe das suas cidades de origem devido ao tratamento.

Espécie de franquia social, as casas Ronald McDonald têm 50% de seu orçamento custeado pelo Instituto e o restante captado entre outros apoiadores da sociedade civil. Como fazem parte de uma rede, contam com a tecnologia

McDonald’s de gestão, o que implica padrão operacional, sistema de voluntariado, capacitação, prestação de contas e relatórios de desempenho. As instituições participam de workshops anuais para discussão de temas específicos, como comunicação ou atendimento. Existem no país atualmente seis Casas Ronald McDonald em funcionamento e oito em processos de licenciamento.

Outras ações fazem parte do calendário de benemerência do Instituto Ronald McDonald, com a Campanha dos Cofrinhos, que arrecada o troco doado pelos clientes da rede McDonald’s. O Jantar de Gala é outra fonte de recursos. Teve sua primeira edição em dezembro de 2009 e destinou toda a sua arrecadação para a reforma do ambulatório do Hospital do Câncer de Cuiabá (MT).

Muitos pensam que, pelo nome, o Instituto Ronald McDonald pertence a rede McDonald’s. É, de fato, a que detém a maior parte do controle e das doações, mas há outras. A Icatu Seguros está ao lado do McDonald’s entre os apoiadores da categoria “diamante”, a de maior contribuição, e é seguida por emblemas do mundo empresarial como Coca-Cola, Elo, Outback, Sadia e muitas outras.

“São os seus recursos que bancam os projetos que, por sua vez, demandam tratamentos, equipamentos e serviços muitas vezes de alto custo”, explica a gerente sênior de Programas e Mobilização Social. O Instituto tem também parcerias institucionais, que atuam diretamente com a doença, como o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica e a Confederação Nacional de Instituições de Apoio e Assistência à Criança e ao Adolescente com Câncer. Essas instituições ajudam na definição de estratégias e ações do Ronald McDonald.

A McHistória da família Neves

A inspiração para a criação do Instituto Ronald McDonald no Brasil teve início em fins dos anos 1980, quando Marquinhos, filho de Francisco e Sonia Neves, moradores da Tijuca, foi diagnosticado com leucemia linfoide aguda. O tratamento do menino, no Instituto Nacional de Câncer (Inca), esbarrou num obstáculo: em determinado ponto, os médicos disseram que a única possibilidade de cura seria o transplante não aparentado de medula óssea, que ainda não existia no Brasil. A família buscou então apoio dos amigos e de muitos parceiros para a campanha SOS Marquinhos, que contou com a verba de uma partida realizada por renomados jogadores
de futebol. Graças aos recursos arrecadados a família foi a Nova York para Marquinhos fazer o tratamento no Memorial Hospital.

Na Big Apple, a família hospedou-se numa Casa Ronald McDonald, um lugar acolhedor, com hospedagem gratuita, alimentação e todo o suporte junto a profissionais e outros pais na mesma situação. Marquinhos não resistiu e faleceu em 1990. Os pais decidiram transformar a dor numa causa e ajudar outras famílias na mesma situação. Francisco e Sonia Neves tornaram-se voluntários do Instituto Nacional do Câncer.

No primeiro McDia Feliz realizado no Rio de Janeiro, o casal organizou uma grande festa, que chamou a atenção do então Presidente do McDonald’s. Os dois aproveitaram para propor a criação de uma Casa Ronald McDonald como a de Nova York.

Sonia tornou-se presidente da Casa Ronald McDonald do Rio de Janeiro, a primeira na América Latina, e Francisco é o superintendente do Instituto Ronald McDonald no Brasil, entidade que beneficia mais de 60 mil famílias e tem sob sua alçada seis Casas Ronald McDonald, três Espaços da Família Ronald McDonald, cerca de 80 instituições parceiras do Programa Atenção Integral e mais de 15 mil profissionais de saúde capacitados no Programa Diagnóstico Precoce.

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