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15 de janeiro de 2018

Educação: uma missão de todos nós

O ex-diretor do Bradesco, Amador Aguiar, falecido em 1994, costumava dizer que “a educação não deve ser função exclusiva do governo, mas de todos nós”. Não foram palavras ao vento. Desde que, em 1962, a Fundação São Paulo de Piratininga inaugurou, em Osasco, o Grupo Escolar Embaixador Assis Chateaubriand, a malha de escolas gratuitas patrocinada pelo banco só faz crescer. Hoje, a Fundação Bradesco, como passou a ser denominado o braço de Responsabilidade Social do Grupo Bradesco, possui uma rede de 40 escolas próprias, presentes em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Somente no ano passado, o sistema de educação gratuita da Fundação beneficiou mais de 100 mil alunos, a grande maioria de comunidades de
baixa renda.

Além das escolas físicas, que atuam em qualificação profissional, formação integral e por meio de cursos e oficinas de formação técnica artesanal e empreendedora, a Fundação vem ampliando o espectro educacional por meio da sua escola virtual – e aí os números são grandiloquentes: no ano passado, foram cerca de 360 mil estudantes inscritos, num total de mais de 630 mil atendimentos. Do outro lado do balcão de toda esta máquina educativa, presencial e virtual, está uma equipe de mais de 3.400 funcionários, entre os quais 1.600 professores.

A Escola Virtual, implantada em 2001, oferece gratuitamente cursos on-line e semipresenciais e tem capacidade para atender simultaneamente até 150 mil usuários. Em 2016, foram oferecidas mais de 90 formações, em áreas como Administração, Aperfeiçoamento e Comportamental, Banco de Dados, Desenvolvimento de Aplicativos, Gestão e Governança e Informática. O curso de “Postura e Imagem Profissional” obteve os maiores índices de procura, com mais de 29 mil certificados.

Dos mais de 100 mil alunos impactados pela rede física da Fundação Bradesco no ano passado, metade são estudantes da educação básica, que compreende a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio – justo onde estão os três maiores gargalos do sistema educacional brasileiro. Segue que, quando se trata de educar alunos de baixa renda, não basta oferecer ensino regular, mesmo que de qualidade. Mais do que isso, é preciso estimular a permanência na escola, sobretudo diante da realidade social em que vive a maior parte das famílias atendidas pela Fundação Bradesco. Os alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio e Técnico Profissionalizante recebem, gratuitamente, uniforme, material escolar, alimentação balanceada e assistência médico-odontológica.

Em 2016, foram investidos R$ 1,033 milhão em auxílio e tratamentos de saúde e outros R$ 786 mil foram direcionados para a compra de materiais médicos e dos gabinetes odontológicos instalados nas escolas. Nesse mesmo ano a Fundação despendeu R$ 21,389 milhões em alimentação para os alunos, com 186 cardápios personalizados.

As unidades contam ainda com laboratório de informática, de ciência, ensino de arte e cultura, atividades esportivas e área de recreação e o apoio pedagógico, administrativo e tecnológico do Centro Educacional, como é conhecida a sede. Esta conexão permanente com os coordenadores de ensino é um indicador do alto índice de aprovação média dos alunos, em sua grande maioria oriundos de comunidades de baixa renda.

De 2012 a 2016, a média de aprovação das 40 unidades da rede escolar da Fundação tangenciou os 95%, índice comparável aos das melhores instituições de ensino dos países desenvolvidos e muito superior ao das escolas públicas brasileiras. Comparando, entre 2014 e 2015, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e Ministério da Educação, a repetência na 1a série do ensino médio, por exemplo, chega a 15,3% e 14,4% no 6o ano do ensino fundamental.

O segredo do sucesso? Para começar, eterna vigilância. Na Fundação, os coordenadores, orientadores e professores dispõem de um painel que registra o desempenho dos alunos em cada habilidade e componente avaliados, por ano ou série. Nos últimos três anos, uma melhoria progressiva vem sendo verificada. Em 2016, foram avaliados conhecimentos de Leitura e Escrita e Matemática, no 2o ano, e Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza nos 5o e 9o anos e 3a série do Ensino Médio. Em todos os segmentos e áreas, os índices foram superiores aos atingidos na avaliação anterior. Nesse mesmo ano, a média dos resultados de Matemática da 3a série do Ensino Médio foi de 337,7 pontos, à frente dos 310 obtidos pelas escolas particulares na última Prova do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), aplicada pelo Ministério da Educação em 2015.

Os resultados do 2o, 5o e 9o anos do Ensino Fundamental, em Matemática, também superaram o Saeb na Avaliação Educacional de 2016. Em Língua Portuguesa, o índice obtido pela 3a série do Ensino Médio alcançou 328,8 pontos, 7% maior do que a média das escolas privadas e 23% superior aos resultados das escolas brasileiras em geral. Essa conquista também foi destaque entre os estudantes do 2o ano do Ensino Fundamental em 2016, menor faixa etária avaliada pela Fundação Bradesco. O nível dos alunos em leitura e escrita superou as médias da rede particular na última Prova Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização (Prova ABC), realizada pelo movimento Todos Pela Educação em 2012. “A Fundação Bradesco valoriza a proximidade entre suas escolas e os alunos egressos de cada unidade, formados para atuarem como protagonistas, transformando a realidade em que vivem”, explica a diretora da Fundação, Denise Aguiar. Segundo o último levantamento, 46,5% dos egressos da Educação Básica deram continuidade à sua escolarização após a conclusão dos estudos na Fundação, sendo que, destes, 77,1% que prestaram o vestibular foram aprovados.

Instaladas, em sua maioria, em localidades de reconhecida vulnerabilidade socioeconômica, deficitárias em serviços públicos e em recursos educacionais de qualidade, as escolas da Fundação impactam sobremaneira a vida social onde atuam, a exemplo do que ocorre com as agências bancárias em rincões distantes no País. De cidades do semiárido nordestino ao entorno das comunidades cariocas, a presença de um estabelecimento de ensino produz desdobramentos que incluem melhorias urbanas a novas perspectivas de futuro para crianças, jovens e adultos.

O bairro do Jardim Conceição, em Osasco (SP), onde a Fundação está presente desde 2004, é um bom exemplo do desenvolvimento de uma comunidade a partir da educação e das iniciativas dos próprios moradores. Segundo dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o IDHM da região evoluiu de “baixo” (de 0,500 a 0,599) no ano 2000 para “alto” (de 0,700 a 0,799) em 2010.

Quando se trata de proporcionar acesso gratuito à educação em regiões de reconhecida vulnerabilidade socioeconômica, o ensino muitas vezes precisa vir acompanhado de investimentos estruturais, como reforma e manutenção de escolas, e de suprimento de serviços que estão associados à educação propriamente dita. Inclui-se neste quesito, por exemplo, a remodelação das moradias para 540 crianças e adolescentes que vivem em regime de internato na Escola-Fazenda de Canuanã (TO) mantida pela Fundação.

Outras atividades não necessariamente ligadas à rotina escolar, algumas associadas com outras instituições e até com o poder público, fazem parte do programa educacional da Fundação. Em 2016, na Unidade Escolar de Marília (SP), uma equipe de agentes de trânsito, auxiliada pelos professores, realizou atividades práticas e orientou os alunos da Educação Infantil a respeito do comportamento no trânsito, incluindo travessia de ruas, postura segura e cuidados com os motoristas. Já na Escola de Cuiabá (MT), as crianças participaram do Movimento Maio Amarelo, do Departamento Estadual de Trânsito do Mato Grosso, com palestras que incluíram do uso do cinto de segurança ao transporte em cadeirinhas.

Os estudantes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio das Escolas de Osasco (SP), por sua vez, participaram do festival audiovisual AfroMinuto, que integrou a Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra (FlinkSampa). Os trabalhos em vídeo feitos pelos alunos da Fundação versaram sobre temas relacionados à luta contra a opressão, à liberdade de expressão, à justiça, à igualdade racial e à cultura.

Em 2016, bandas, corais, orquestras e demais grupos formados por alunos apresentaram-se em uma série de eventos, como a cerimônia de Revezamento da Tocha Olímpica e as comemorações dos 60 anos da Fundação Bradesco, ambas em Osasco (SP). Os estudantes também participaram de experiências lúdicas nas demais linguagens artísticas, como a visita ao Museu de Arte do Rio de Janeiro.

Todos os anos, há mais de três décadas, a Fundação promove o Concurso Amador Aguiar – Produção Escrita, Desenho e Pintura com o objetivo de estimular o talento artístico dos alunos. Em 2016, entre os 1.761 trabalhos inscritos de 36 Unidades Escolares, foram premiadas 135 produções. Além disso, foi organizada uma edição especial da premiação em virtude dos 60 anos da Fundação, que reconheceu 167 desenhos e pinturas relacionados à Instituição. O concurso homenageia Amador Aguiar, criador e Presidente Emérito da Fundação Bradesco

Os alunos da Educação Básica participam de visitas a exposições, feiras de ciência e museus. Os estudantes da Escola de Canuanã (TO), por exemplo, desbravaram a cidade histórica tocantinense de Natividade, onde puderam observar construções e monumentos relacionados às influências culturais portuguesas, além de visitar um museu. Os cursos do Ensino Profissionalizante também preveem estudos do meio e atividades empíricas, que tem como finalidade aproximar os jovens do mercado de trabalho e do dia a dia das empresas. Em 2016, esses alunos realizaram 27 visitas técnicas e palestras. No ano, a Fundação Bradesco atendeu 542 aprendizes e manteve convênios com 13 empresas de diferentes segmentos.

Por meio dos Grupos Produtivos, a Fundação Bradesco proporciona formação em técnicas artesanais, gestão e empreendedorismo, o que incrementa a renda e auxilia na sustentabilidade e formalização dos negócios. Em 2016, foram atendidas 2.262 pessoas, em 38 Unidades Escolares, 97,13% mulheres. Atualmente, 127 artesãos estão organizados em grupos de produção artesanal, três dos quais formalizados: a Associação das Bordadeiras do Jardim Conceição, em Osasco (SP), a Associação Artesanato Pampa Caverá, de Rosário do Sul (RS), e a Associação Fibra Real, de São João del-Rei (MG). A Fundação mantém o Quiosque Social, espaço para a divulgação dos trabalhos dos artesãos das Escolas, localizado na Cidade de Deus, em Osasco (SP). No ano, mais de 15 mil peças foram remetidas ao Quiosque, com renda revertida aos produtores.

Desde a inauguração, em 1962, do Grupo Escolar Embaixador Assis Chateaubriand, a primeira escola da rede, a Fundação vem ampliando sua malha escolar em escala geográfica. Em 1986, com a inauguração das unidades de Ceilândia (DF) e Bodoquena (MS), a instituição passou a atuar em todas as regiões do País. Mas só marcou presença em todos os estados em 2003, com a inauguração da Unidade Escolar de Boa Vista (RR). Atualmente, dos mais de 100 mil alunos impactados pela Fundação, 36.250 estão no Sudeste, 32.683 no Nordeste, 20.407 no

Norte, 9.969 no Sul e 9.224 no Centro-Oeste. Para 2018, a Fundação Bradesco investirá na continuidade das iniciativas atualmente desenvolvidas por meio de sua rede de escolas. “Os esforços da Fundação estarão direcionados ao aprimoramento de suas atividades com foco na melhoria da qualidade do ensino ofertado aos alunos, de modo a reafirmar seu protagonismo e sua excelência no contexto educacional e de investimento social privado brasileiro”, explica Denise Aguiar.

No topo do investimento social

Os investimentos da Fundação em educação vêm aumentando ao longo dos anos. Se em 2012 os gastos foram de R$ 374,2 milhões, no ano passado eles quase dobraram, chegando a R$ 625,9 milhões. Nos últimos dez anos os recursos aplicados nesta área ultrapassaram a marca de R$ 6 bilhões. Do orçamento de 2016, da ordem de R$ 595,5 milhões, 73,22% foram aplicados nos segmentos da Educação Básica, a principal frente de atuação da Fundação para a inclusão social. Segundo o último Censo GIFE, com dados de 2014, a Fundação Bradesco lidera o ranking dos investimentos sociais privados do País, respondendo por um sexto dos recursos alocados para este fim.

O modelo de financiamento da Fundação é via endowment, no qual, a exemplo do que ocorre em instituições internacionais de referência na educação, os recursos investidos são provenientes do próprio patrimônio e advêm, substancialmente, de ativos financeiros e participações societárias. Em 2016, a Fundação recebeu R$ 5,159 milhões em doações, com destaque para os cinco principais doadores: Banco Bradesco S.A., Vale S.A., companhia Brasileira de Soluções e Serviços, Cielo S.A. e Cetip S.A. – Mercados Organizados.

Para 2018, a Fundação Bradesco investirá na continuidade das iniciativas atualmente desenvolvidas por meio de sua rede de 40 escolas. Seus esforços estarão direcionados ao aprimoramento de suas atividades com foco na melhoria da qualidade do ensino ofertado aos seus alunos, de modo a reafirmar seu protagonismo e sua excelência no contexto educacional e de investimento social privado brasileiro.

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