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5 de julho de 2019

Fabricante de massas e biscoitos M. Dias Branco adota práticas sustentáveis e evita o uso de 621 toneladas de plástico em dois anos

Dona das marcas Piraquê, Adria, Vitarella e Finna, a empresa construiu uma agenda estratégica de sustentabilidade que prioriza a diminuição do uso de plástico nas embalagens de seus produtos a uma taxa de 1,2% ao ano até 2021. Para atingir a meta, a companhia vem investindo na adequação de maquinário e na revisão de processos produtivos

Com 11.355.220 de toneladas/ano, o Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia, segundo estudo feito pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) que foi apresentado em março na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente. A posição do país nesse ranking não é motivo de orgulho. Desse total: apenas 1% (145.043 toneladas) é reciclado; 2,4 milhões de toneladas são descartadas de forma irregular; 7,7 milhões de toneladas vão parar em aterros sanitários; e mais de 1 milhão de tonelada não é recolhida. Cada brasileiro produz, em média, 1 quilo de lixo plástico por semana. É muita produção para pouca reciclagem.

Parte do plástico armazenado em aterros sanitários no país é incinerada. Com isso, são lançados à atmosfera gases tóxicos prejudiciais à saúde, como o dióxido de enxofre. A poluição pelo plástico afeta a qualidade do ar, do solo e sistemas de fornecimento de água, já que o material absorve diversas toxinas e pode levar até 100 anos para se decompor na natureza. De acordo com a WWF, faltam no Brasil não apenas políticas públicas que incentivem a reciclagem e conscientizem a população dos efeitos nocivos de todo esse material para o meio ambiente, mas também empenho das indústrias em desenvolver tecnologias que reduzam o uso do plástico na embalagem de seus produtos. Este não é o caso da M.Dias Branco, fabricante de produtos de marcas como Adria, Vitarella, Piraquê e Fortaleza. Em 2014, quando criou sua Agenda Estratégica de Sustentabilidade, a empresa estabeleceu como meta reduzir o consumo de plástico no processo fabril ao mínimo possível até 2021, a uma taxa de 1,2% ao ano. Somente em 2017, com a adequação de maquinário e revisão de processos produtivos, ela evitou o uso de 457 toneladas de plástico nas embalagens de biscoitos, massas, bolinhos, farinhas, cereais, salgadinhos, misturas para bolos e torradas. Esse número representa 26% a menos do que no ano anterior. No ano passado, a redução foi de 164,6 toneladas.

O movimento de redução de plástico da empresa segue a nova tendência global do mercado consumidor: a de decidir sua compra a partir da análise das matérias-primas dos produtos e de suas embalagens. “O alto consumo de plástico, aliado ao descarte incorreto, tem gerado impactos ambientais e desconfortos para a sociedade”, diz Aled Parry, gerente de sustentabilidade da empresa. “Por isso, desenvolvemos projetos que visam a diminuir o consumo de plástico, especialmente nas embalagens dos nossos produtos.”

O movimento de redução de plástico da empresa segue a nova tendência global do mercado consumidor: a de decidir sua compra a partir da análise das matérias-primas dos produtos e de suas embalagens. “O alto consumo de plástico, aliado ao descarte incorreto, tem gerado impactos ambientais e desconfortos para a sociedade”, diz Aled Parry, gerente de sustentabilidade da empresa. “Por isso, desenvolvemos projetos que visam a diminuir o consumo de plástico, especialmente nas embalagens dos nossos produtos.”

A agenda de sustentabilidade da M.Dias Branco se apoia em quatro pilares: finanças, pessoas, sociedade e meio ambiente. Oito grupos de trabalho foram formados para colocar em prática ações específicas nas áreas de Nutrição e Saudabilidade; Embalagens e Resíduos;  Meio Ambiente; Energia e Emissões; Comunidades e Investimento Social; Cultura de Sustentabilidade; e Fornecedores. Com o trabalho conjunto desses grupos, em 2015 a empresa iniciou mudanças para reduzir o uso de material plástico no seu processo fabril. Também criou ações de conscientização de toda a cadeia produtiva, contribuindo para o objetivo Consumo e Produção Responsáveis, um dos 17 estabelecidos pela Organização das Nações Unidas em 2017 para acabar com a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar da sociedade, proteger o meio ambiente e enfrentar as mudanças climáticas. A agenda da M. Dias Branco prioriza 12 dos 17 objetivos da ONU.

Embalagens dos produtos de todas as marcas trazem informações sobre a redução de plástico

Uma decisão saída das discussões dos grupos de trabalho foi que a redução de plástico deveria valer para todos os produtos, uma vez que o consumo de embalagens flexíveis é medido em quilos. Com isso, a equipe de Pesquisa & Desenvolvimento, junto com as de Suprimentos, Qualidade, Indústria e Marketing, passou a avaliar criteriosamente quais itens devem ser priorizados a cada ano. “Quanto mais finas as embalagens, menor a quantidade de quilos por metro quadrado no rótulo, consequentemente, menor o consumo e a geração de plástico”, explica Parry. A questão era como assegurar a integridade dos produtos e fazer com que o maquinário de embalagem existente no mercado utilizasse filmes finos além do limite mínimo de espessura especificado. Para chegar ao resultado desejado, a empresa investiu em testes de aplicação e no uso de máquinas tecnologicamente mais avançadas, que suportam filmes de espessura menores.

Bobinas de filme plástico utilizadas nas embalagens dos produtos da M.Dias branco

Os primeiros resultados dessas mudanças foram sentidos em 2016, quando o consumo total de filmes flexíveis caiu para 14 mil toneladas. Em 2017, foi para 13 mil toneladas e em 2018, para 12 mil. Em 2017, a matéria-prima base das embalagens plásticas, que é a resina de polipropileno – derivada do petróleo – teve seu preço aumentado em 32%, devido à passagem do furacão Harvey, que prejudicou as refinarias e a logística do segmento petrolífero. A elevação da taxa cambial também afetou a importação da resina, e a empresa redobrou seus esforços para reduzir o consumo de plástico no processo fabril. Só em 2017, conseguiu evitar o uso de 457 toneladas de plástico em embalagens. No biênio 2017-2018, a M.Dias Branco investiu R$ 17,3 milhões em pesquisa, lançamento de novos produtos, projetos estratégicos e de melhorias e otimizações que levaram aos bons resultados na redução de material plástico. As metas e indicadores preveem ações até 2025.

Reúso da água

A redução de plástico é só um dos projetos sustentáveis da M.Dias Branco. A empresa reduziu o consumo de água adotando medidas como reaproveitando água da chuva para os jardins na fábrica de Fortaleza e instalação, em todas as unidades fabris, de reguladores de vazão de água nas torneiras dos lavatórios e descargas de fluxo duplo. O índice de consumo baixou de 1,18 m3/tonelada, em 2014, para 0,41m3/tonelada em 2018.

Água da chuva é coletada e armazena em tanques para reúso posterior

Em 2018, a empresa investiu cerca de 10,6 milhões em gestão ambiental, e as despesas com gerenciamento ambiental totalizaram R$ 1,5 milhão. A redução da geração de resíduos em relação a 2017 foi de 4,1%, e o índice de reciclagem subiu 1,6% em relação a 2017 e 10,8% comparado a 2014. A destinação de resíduos para aterros caiu 7,1% ante 2017 e 24,8% ante 2014. Na unidade de Jaboatão dos Guararapes, houve uma redução de 43% dos resíduos perigosos. A empresa registrou queda de 3% no lançamento de efluentes – 50% a mais que em 2014.

Para obter esses e outros resultados, os grupos de trabalho dedicaram parte de seu tempo à disseminação da cultura de sustentabilidade entre os seus 20.408 colaboradores e à melhoria da vida no trabalho. A empresa implantou a Universidade Corporativa, que já realizou, desde 2014, mais de 780 mil horas de treinamentos em liderança, vendas, gestão, promoção de vendas, parcerias de conhecimento e programas para trainees. Ela ainda custeia metade do valor dos cursos de pós-graduação dos funcionários que se enquadram nos requisitos de concessão de bolsas e, em parceria com o SESI, disponibiliza professores e material didático aos funcionários interessados em concluir seus estudos.

O projeto de sustentabilidade da M.Dias Branco também atinge a cadeia de suprimentos. A empresa passou a mapear e a identificar os fornecedores com boas práticas socioambientais, formando uma rede de abastecimento sustentável e duradoura: 58% dos fornecedores estratégicos da empresa possuem práticas que buscam a conservação ambiental, seja por meio de iniciativas para controle de emissão de gases, seja por meio de programas de reflorestamento ou preservação da fauna e da flora regionais. Dos fornecedores analisados, 62% possuem projetos sociais de apoio a produtores ou a comunidades carentes.

Internamente, a companhia implantou um sistema de gestão de segurança no trabalho em todas as unidades, com impacto positivo nas taxas de frequência de acidentes e de gravidade de acidentes. Também realizou 187 ações de saúde nas unidades industriais.

Na área social, a empresa continuou investindo em projetos educacionais, culturais, esportivos e de saúde das comunidades do entorno de suas unidades. Participa por meio de ações de voluntariado, doação de alimentos, bens e equipamentos, apoio a projetos por meio das leis de incentivo à cultura. O total de investimentos feito pela empresa nessa área em 2018 foi de R$ 2,156 milhões. “Procuramos tornar nossa atuação cada vez mais sustentável e relevante para a sociedade, com a definição de metas e ações que impulsionam a nossa evolução”, diz Aled Parry. A M.Dias Branco foi fundada pelos irmãos Manuel, José e Orlando Dias Branco, em 1940, como uma pequena padaria em Fortaleza. Com o sucesso de vendas de massas de fabricação própria e a inclusão do irmão Francisco na sociedade, em 1953, a padaria se transformou numa indústria de massas alimentícias. Quase 70 anos depois, a empresa tem 15 unidades industriais espalhadas pelo Brasil e atua nos segmentos de biscoitos, massas, farinhas e farelo de trigo, mistura para bolos, margarinas e cremes vegetais, bolos, snacks de milho e de trigo, torradas, cobertos de chocolate, bits de cereais e refresco em pó. É líder de mercado nas regiões Norte e Nordeste.

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