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13 de fevereiro de 2017

Lá vem o Abaré, o barco da esperança

Os cerca de 30 mil ribeirinhos que habitam as palafitas de Santarém, Belterra, Aveiro e Juruti, no Baixo Amazonas ficam em festa quando, rio adentro, se aproxima o barco Abaré. A embarcação, que leva estampado na proa a inscrição “Saúde e Alegria”, nome da Organização Social presente na região desde 1985, traz uma carga preciosa de médicos, remédios e esperança. E, mais, trará a reboque a equipe interdisciplinar, que visita regularmente as comunidades, com seus programas voltados para o ordenamento territorial, fundiário e ambiental, cidadania e direitos humanos, produção familiar e geração de renda, saneamento, educação, cultura, comunicação e inclusão digital.

Criado em 1985 pelo médico sanitarista Eugênio Scannavino Neto, o Projeto Saúde e Alegria começou com atendimento de Saúde a 16 comunidades da região rural de Santarém. Hoje, às vésperas de completar 30 anos de existência, a ONG atua em 150 comunidades localizadas em áreas de difícil alcance e sem acesso a condições básicas de vida, que normalmente são providas pelas prefeituras. É aí que entra a ONG? Em parte. “Nosso trabalho não é substituir o papel do Estado, mas desenvolver tecnologias sociais replicáveis, que sirvam para melhorar as politicas públicas”, explica o coordenador de Educação e Comunicação do Saúde Alegria, Fábio Pena.

O melhor exemplo dessas “tecnologias sociais replicáveis” é o barco-hospital Abaré, do Saúde e Alegria, que desde 2005, na forma de um posto de saúde avançado, presta atendimento médico regular às famílias ribeirinhas do Baixo Amazonas. Segue que o sistema foi tão bem recebido pela comunidade, que o Ministério da Saúde encampou a ideia no âmbito de uma política nacional de saúde fluvial. Hoje são 60 barcos-hospitais navegando na Amazônia. “Para a gente que mora em comunidade ribeirinha, distante da cidade, o Abaré foi uma grande mudança. Pode não ser o suficiente, mas quando ele chega a gente se sente muito feliz”, diz Francisca Belém da Silva, de 46 anos.

Financiada por instituições públicas e privadas, como Fundação Ford, Telefônica e Petrobras, e com orçamento na casa dos 2 milhões de reais, o Saúde e Alegria desenvolve projetos em área tumultuada pela expansão desordenada do agronegócio, desmatamento, grilagem de terra e conflitos agrários. Para atuar em meio a esse caldeirão de problemas, a ONG criou o programa “Desenvolvimento Territorial”, considerada “a base social e política” de todo o trabalho. Consiste em prestar assessoria às lideranças locais para a defesa de suas terras e do bom manejo dos recursos naturais. De quebra, garante a viabilidade econômica, social e ambiental das áreas.

No combate à grilagem e à apropriação indevida dos recursos naturais, as lideranças utilizam o “mapeamento participativo”, uma ferramenta estratégica desenvolvida pela ONG, que reúne informações logísticas relevantes para a tomada de decisão nas áreas em conflito. No documento consta a presença de ramais e outros itens de infraestrutura, igarapés, lagos, áreas desmatadas e de extrativismo de madeira, pescado, pastagem e de avanço do agronegócio.

O termo “Alegria”, que compõe o nome da ONG, faz todo o sentido. Numa região carente de tudo, é por meio da arte e do lúdico que o Saúde e Alegria vai implementando seus programas, principalmente os educacionais. Nas visitas às comunidades onde atua, os moradores assistem às encenações do Circo Mocorongo; mas a história encenada é real: a possibilidade da melhoria da qualidade de vida. Entre os artistas está um palhaço que, além das palhaçadas, atua também como médico, agrônomo e educador, que ensina por meio de brincadeiras, jogos e dinâmicas de grupo. O resultado é a construção de materiais pedagógicos, esquetes, músicas, poesias e apresentações teatrais. Tudo com muita saúde e alegria.

Uma Amazônia não muito legal

A Amazônia Legal, a maior bacia hidrográfica e maior floresta tropical do planeta, ocupa cerca de 60% do território nacional. A região tem importância estratégica crescente em tempos de aquecimento global, de economias de baixo carbono e de acordos internacionais em torno da biodiversidade e da preservação do ambiente. Além disso, possui inestimável patrimônio genético e abastece o país com produtos florestais, minérios, agropecuária e energia.

Na Amazônia Legal vivem mais de 23 milhões de pessoas, entre povos indígenas, caboclos, mestiços e migrantes; a maior parte com dificuldades de acesso à saúde, saneamento, educação, energia, transporte e comunicação, serviços insuficientemente providos pelo sistema público.

No oeste paraense, área atendida pelo Saúde e Alegria, as comunidades estão em sua maioria assentadas ao longo de rios e estradas, ocupando terras devolutas ou áreas de assentamentos, glebas e Unidades de Conservação e vivem basicamente do extrativismo e da agricultura familiar.

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