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Projeto Casa das Belezas capacita pessoas de comunidades carentes no Rio de Janeiro para trabalhar como cabeleleiros e barbeiros

21 de outubro de 2019

L’Oréal usa a beleza para promover a inclusão social e profissional no Brasil

Programa de sustentabilidade da gigante francesa dos cosméticos e perfumaria inclui projetos de prevenção ao câncer de pele, inclusão profissional, proteção ambiental e de incentivo à pesquisa científica. A empresa, presente no Brasil desde 1939, é dona das marcas Lancôme, La Roche-Posay, Kérastase, Colorama e Garnier.

No final do mês passado, a Fundação La Roche-Posay lançou um programa internacional que oferece suporte emocional a crianças com câncer e seus familiares. O objetivo da iniciativa é melhorar a qualidade de vida do doente e de seus familiares após o diagnóstico e durante o tratamento. Desenvolvido em parceria com a Childhood Cancer international (CCI), pais e cientistas, o projeto é focado em ações que atendem a necessidades específicas dos pacientes em tratamento: protocolos de massagens, para restabelecer o toque, relaxar a criança e reconectar pais e filhos; escala de emoções, para que as crianças reconheçam e demonstrem suas emoções durante o tratamento; e portal de internet, onde pais e familiares têm acesso a uma fonte confiável e qualificada de informações.

Em média, 300 mil crianças são identificadas com câncer por ano no mundo, sendo 12 mil no Brasil, e, por trás do diagnóstico, são desencadeadas outras questões físicas e psicológicas, como dores frequentes, falta de comunicação e quebra de laços familiares. “Nosso programa busca amenizar os traumas causados pela doença e entregar uma qualidade de vida melhor para as crianças e seus pais”, diz Izabella Martorelli, gerente de expertise científica e social da Fundação.

Plataforma de suporte a crianças e seus familiares: programa para amenizar traumas causados pelo câncer

Para os pais, a troca de informações com outros familiares que estão passando pela mesma situação, é essencial durante o tratamento. A atriz Luiza Valdetaro, embaixadora da Fundação La Roche-Posay, diz que conversar com outros pais pode poupar a criança de sofrimentos desnecessários. Sua filha mais velha, Maria Luiza, hoje com 11 anos, foi diagnosticada com leucemia aos três. O início do tratamento foi imediato, e hoje a menina está curada, mas Luiza traz na bagagem o aprendizado durante aquela fase. “Certa vez, eu não tinha percebido que a Malu estava com uma sensibilidade na pele por conta do tratamento. Só fiquei sabendo disso quando outra mãe falou. Ela chorava para tirar os curativos e eu não entendia, achava que era frescura”, conta.

Com a ajuda da Associação de Apoio à Criança com Câncer (AACC), o projeto da Fundação La Roche-Posay, que também terá versões para China, Estados Unidos, Rússia e França, já está sendo implementado em hospitais especializados no tratamento do câncer infantil, como o GRAACC e o Itaci, em São Paulo.

O programa de suporte à criança com câncer é uma das muitas iniciativas de responsabilidade social do Grupo L’Oréal. A gigante francesa especializada em beleza, com foco em perfumes, protetores solares e produtos dermatológicos e para cabelos, é dona de marcas como Lancôme, Kérastase, Vichy, L’Oréal de Paris, Giorgio Armani e La Roche-Posay. Presente em 130 países, a empresa está há 80 anos no Brasil, onde tem mais de 2.000 funcionários trabalhando nas quatro divisões de produtos (luxo, populares, profissionais e cosmética ativa).

A Fundação La Roche-Posay foi criada em 1995 para incentivar as ações de dermatologistas que trabalham nos campos científicos e humanitários. A entidade apoia projetos na área de foto-proteção, atopia e intolerância cutânea e também participa de programas de responsabilidade social do Grupo L’Oréal, como o “Tour de Combate ao Câncer de Pele da La-Roche-Posay”, que há 9 anos promove diversas ações de prevenção à doença – de doações de equipamentos avançados a hospitais públicos até caravanas que oferecem atendimento dermatológico a pessoas em situação de vulnerabilidade. O Tour já passou por 67 cidades do país, atendeu 21.824 pessoas e realizou 2.026 diagnósticos oficiais de câncer de pele.

Uma dessas cidades é Araras (GO), a 240 quilômetros de Goiânia. Nessa pequena e isolada localidade, há alta incidência de Xeroderma Pigmentoso (XP) devido à consanguinidade de seus moradores. O XP é uma doença genética rara caracterizada por extrema sensibilidade à radiação ultravioleta presente nos raios solares. As áreas do corpo mais expostas ao sol, como rosto, pescoço, braços, colo e olhos, costumam ser afetadas pela doença, que pode evoluir para câncer cutâneo se não for tratada adequadamente.

Paciente passa por tratamento do Xeroderma Pigmentoso, em Araras; doença pode evoluir para câncer de pele

O projeto da L’Oréal foi desenvolvido em parceria com a Sociedade Brasileira de Dermatologia e envolve equipes de médicos dermatologistas e cientistas da La Roche-Posay, que visitam a comunidade para prestar atendimento médico, orientar pacientes e moradores e promover o plantio de árvores de rápido crescimento para aumentar a área de sombra da localidade. Em dezembro do ano passado, Ivone Milhomens de Souza Araújo foi atendida pelo Tour. Ela está em um estágio da doença em que aparecem lesões na pele que podem evoluir rapidamente para câncer. “Eu fiz uma pequena cirurgia, em que o médico retirou uma lesão no meu rosto provocada pelo Xeroderma, e recebi orientação sobre como tratar a doença, que é muito séria”, conta ela.

As ações do Tour em Araras envolvem todos os moradores, de diferentes idades, que tenham ou não desenvolvido o XP. Aos que ainda não apresentam a doença, a equipe do projeto orienta na prevenção. Os que já foram afetados recebem tratamento e orientações de acordo com o grau da afecção. “Podemos promover uma melhor sensação de pele, oferecer hidratação e fazer com que eles convivam muito melhor com a doença no dia a dia”, explica Barbara Gurgita, gerente de comunicação científica da La Roche-Posay.

Médicos retiram lesão do Xeroderma Pigmentoso da paciente Ivone Milhomens em Araras (GO)

O projeto já acompanha a comunidade de Araras há três anos e será mantido por muito mais tempo, segundo Maya Colombani, diretora de sustentabilidade da L’Oréal Brasil. Ela observa que a iniciativa faz parte do “Sharing Beauty With All”, programa global de sustentabilidade da companhia que estabeleceu compromissos de responsabilidade de longa data com o objetivo social e ambiental de transformar a cadeia de valor do Grupo L’Oréal. Esses compromissos tratam dos impactos dos negócios da empresa no conjunto de suas atividades – da concepção de produtos à distribuição, passando pelo processo de produção e pelo fornecimento de matérias-primas.

O programa de sustentabilidade da L’Oréal se apoia em quatro pilares – inovar, produzir e viver de forma sustentável e compartilhar o crescimento com os funcionários, os fornecedores e as comunidades com as quais a empresa interage. Está alinhado com 14 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela Organização das Nações Unidas, e suas atividades filantrópicas são conduzidas com o apoio da Fundação L’Oréal e das marcas do Grupo. O projeto de prevenção e tratamento do câncer de pele em Araras está inserido no pilar viver de forma sustentável.

Nesse mesmo pilar estão os programas “Oficina da Autoestima da Vichy”, que mostra o papel da maquiagem na qualidade de vida de pessoas com doenças estigmatizantes da pele, e “A Gente Cuida”, que capacita indivíduos em situação de vulnerabilidade extrema sobre higiene básica e proteção solar. Realizada em parceria com o Exército da Salvação, essa iniciativa engaja os participantes nos cuidados com a pele por meio de aulas didáticas, livretos informativos e distribuição de produtos que assegurem a higiene básica das pessoas.

Cadeia de valor

O Brasil é o quarto maior mercado consumidor de cosméticos, perfumes e produtos de higiene e beleza do mundo, ficando atrás somente de Estados Unidos, China e Japão. Ocupa, ainda, a terceira posição no ranking de lançamentos globais de produtos por ano. O desempenho do mercado de cosméticos, higiene e perfumaria tem ajudado a fortalecer as marcas nacionais e internacionais, que apostam na diversidade étnica, cultural e ambiental do país e no comportamento único do brasileiro em seu ritual de beleza. Não à toa, empresas do setor se apoiam na pesquisa e na proteção da biodiversidade local para desenvolver produtos que atendam às exigências e características do consumidor brasileiro. Nessa busca, elas acabam exercendo também seu papel social, estimulando o crescimento de comunidades locais e carentes.

Para a L’Oréal, as mudanças climáticas que colocam em risco a biodiversidade do planeta são uma questão premente. Por isso, a companhia está empenhada globalmente em diminuir sua pegada ambiental, reduzindo a zero as emissões de gases de efeito estufa em toda a sua cadeia de valor e se tornando uma empresa Carbono Neutro. Na L’Oréal Brasil, só as unidades industrias da empresa reduziram em 71% as emissões de CO2 em relação a 2005, quando o controle começou a ser feito. Isso quer dizer que a empresa deixou de lançar 4.700 toneladas de gás carbônico na atmosfera. A meta é zerar até 2020.

Centro de Pesquisa & Inovação da L’Oreal Brasil: 1.200 placas solares para reduzir emissões de CO2

A marca foi alcançada, entre outros motivos, porque 100% das unidades no Brasil usam eletricidade de fonte renovável, como energia solar e eólica. O centro de Pesquisa & Inovação, no Rio de Janeiro, por exemplo, possui a segunda maior estrutura de painéis solares geradores do Estado. Inaugurado em 2016, ele tem 1.200 placas ocupando uma área de 2.400 m2 no topo da construção. Em 25 anos, tempo de vida útil das placas solares, a empresa deixará de emitir 1.015 toneladas de CO2. Se tivesse que compensar essas emissões, a L’Oréal Brasil teria que plantar 26 mil árvores. O sistema de energia solar gera 40 mil kWh por mês, o que representa o consumo mensal de aproximadamente 270 casas.

Também contribuíram para o resultado as gestões hídrica e de resíduos em todas as unidades da empresa no país. Juntas, elas diminuíram em 36% o uso de água desde 2011 e zeraram o envio de resíduos a aterros sanitários – 100% dos resíduos orgânicos foram compostados e os demais resíduos sólidos, reciclados, reaproveitados ou enviados para cooperativas de catadores, estimulando a economia circular.

A proteção ambiental também foi aplicada às linhas de produtos de todas as marcas do Grupo. A empresa avaliou o perfil ambiental e social de todos os seus produtos para melhorar a biodegradabilidade das fórmulas, a pegada de água, o nível de sustentabilidade das embalagens, da produção e do fornecimento de matérias-primas e o impacto social. Cinquenta e quatro por cento dos produtos passaram por melhoria em um ou mais desses quesitos. Agora, quando um produto é criado ou renovado, sua contribuição para a sustentabilidade é levada em conta, além de seu desempenho e sua rentabilidade.

O fornecimento sustentável de matérias-primas naturais tem papel de destaque nessa busca pela redução da pegada ambiental do Grupo. Com 20% da biodiversidade do planeta, o Brasil é um mercado estratégico para a empresa, que se compromete a pagar o preço justo por matérias-primas de pequenos fornecedores que valorizam a biodiversidade, com zero desmatamento e preservação da “floresta em pé”, e em total respeito às leis trabalhistas. Ativos naturais como murumuru, pracaxi, babaçu, cupuaçu e camu-camu têm propriedades antioxidantes e hidratantes e são utilizados na fabricação de cosméticos das marcas da empresa. A L’Oréal Brasil mantém e estimula a prática do comércio justo e mantém parceria com cinco cooperativas no Pará, no Amapá e no Maranhão, que colhem e processam as amêndoas.

Roberto do Carmo, agricultor beneficiado pelo programa Fornecimento Solidário, com semente de murumuru

Os projetos “Repartição de Benefícios” e “Fornecimento Solidário” beneficiam mais de 400 famílias de comunidades carentes dessas regiões com a compra dos ativos naturais. Além da renda adicional, os cooperados receberam capacitação profissional.

É o caso de Roberto do Carmo, morador da Vila de Urupiuna (PA) e agricultor da Cooperativa Mista dos Agricultores Familiares dos Caetés (Coomac), que fornece manteiga de murumuru para a L’Oréal Brasil. “Além de complementar nossa renda, o murumuru aperfeiçoou nossa visão para outros produtos, nos incentivou a nos capacitarmos e a não dependermos de um produto apenas”, conta Campos, que, até 2012, antes de a cooperativa ser criada, dizia que a semente era apenas uma planta com espinhos que machucavam e atrapalhavam durante a colheita. Por meio do programa de Fornecimento Solidário da L’Oréal, criado para apoiar pequenos fornecedores que valorizam a biodiversidade, com zero desmatamento e preservação da “floresta em pé”, e em total respeito às leis trabalhistas, os agricultores conheceram o potencial da palmeira.

O projeto do murumuru garantiu uma renda anual extra por família cooperada equivalente a mais de quatro vezes a renda per capita mensal média da região em 2014. Com verbas próprias e doações dos parceiros, a cooperativa construiu, em novembro de 2014, uma usina de processamento em uma comunidade a 12 quilômetros do centro de Bragança, que possibilitou a produção da manteiga bruta do murumuru pelos próprios cooperados (antes, a cooperativa fazia a colheita e a secagem da semente, que era entregue à Beraca, empresa responsável pelo processamento da manteiga, que vendia em seguida a L´Oréal Brasil). O valor agregado à semente garantiu um retorno financeiro cerca de sete vezes maior para a comunidade.

Ciência como solução

Desde 1979, a L’Oréal tem sido pioneira em pesquisas de reconstrução de modelos de pele humana em laboratório para a realização de testes de segurança de produtos. Em 1984, a pele produzida em laboratório passou a substituir o uso de animais nesses testes. Dentro do pilar inovação, a empresa desenvolveu métodos alternativos mais preditivos, baseados em células humanas, para avaliar a eficácia de seus ingredientes. O modelo RHE (Reconstructed Human Epidermis, ou epiderme humana reconstruída in vitro) é distribuído pela Episkin, empresa do Grupo L’Oreal. O RHE também é produzido no Brasil e está sendo compartilhado com os laboratórios membros da Rede Nacional de Métodos Alternativos (Renama), com o objetivo de banir os experimentos com animais no país.

Pele humana desenvolvida em laboratório pela Episkin para a realização de testes dos produtos da L’Oréal

O Grupo acredita que a ciência é a chave para transformar o mundo para melhor. Além da pesquisa com epiderme humana, desde 2006 a empresa mantém parceria com a Unesco Brasil e com a Academia Brasileira de Ciências para promover o programa “Mulheres na Ciência”, que contempla sete jovens pesquisadoras, de diversas áreas de atuação, com uma bolsa-auxílio de R$ 50 mil. Segundo An Verhulst-Santos, presidente da L’Oréal Brasil, a iniciativa de premiar e reconhecer as cientistas é necessária, pois, no mundo inteiro, só 30% das pesquisas científicas são feitas por mulheres e apenas 10% alcançam cargos de liderança na área. “Esse prêmio é muito importante para nós, porque acreditamos – e é comprovado – que a diversidade nas equipes traz mais criatividade e ajuda a ciência a resolver os grandes problemas no mundo”, conclui a presidente.

As ações responsáveis da empresa não param por aí. Ela também promove a inclusão profissional por meio dos programas “Fornecimento Solidário”, “Treinamento Vocacional” e “Oportunidades Iguais para Pessoas com Deficiência”, com os quais a L’Oréal pretende possibilitar, até 2020, que mais de 100 mil pessoas de comunidades desfavorecidas tenham acesso ao mercado de trabalho.

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