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3 de maio de 2019

Os gênios invisíveis

Os superdotados, na definição do Ministério da Educação, apresentam um potencial elevado e grande envolvimento com as áreas do conhecimento, isoladas ou combinadas: intelectual, liderança, psicomotora, artes e criatividade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 3% a 5% da população mundial é composta de pessoas com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), independentemente de raça, cor ou condição social. Se o gênio for de família de classe média ou rica logo será descoberto, vai estudar em escola especial, fazer cursos avançados de ciência e ganhar um notebook com o emblema da maçã. Se for pobre, bem, nesse caso corre o risco de ser invisível e se tornar uma criança estranha e um adulto problemático. Um outsider social.

Mas o caminho – e provavelmente o futuro – pode ser outro se o gênio pobre for descoberto pelo Instituto Rogério Steinberg (IRS), uma organização não governamental fundada por Clara Steinberg, em homenagem ao seu filho, o publicitário Rogerio Steinberg, morto em acidente de carro em 1985. Desde 1998 o IRS promove atividades de educação complementar para crianças e jovens socialmente vulneráveis com AH/SD. Chegar lá, não é fácil. Porém, ao contrário do que ocorre entre os mais abastados, em que o critério de genialidade geralmente é decidido pelos pais, os superdotados em situação de vulnerabilidade social passam por rigoroso crivo para ingressar no IRS.

Para o processo de seleção do IRS, pelo qual já passaram mais de 33 mil crianças e jovens, inicialmente há o Programa Despertando Talentos, que é voltado justamente para identificar e encaminhar crianças e jovens com indicadores de AH/SD, da rede municipal do Rio de Janeiro e instituições beneficentes de ensino. Professores de 42 escolas são capacitados pelo IRS para identificar os indícios de superdotação em seus alunos.

Depois dessa triagem os indicados passam pela seleção, que se divide em quatro etapas: avaliação acadêmica (português e matemática), autoavaliação comportamental e social, entrevista com a família, além de testes realizados por psicólogos. “O desafio é identificar esses pequenos gênios que estão invisíveis para a sociedade”, explica Izaquiel Gielman, presidente do IRS.

Uma vez classificados, os superdotados são convidados a participar, por três anos, do Programa Desenvolvendo Talentos, que busca ampliar seus conhecimentos de Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes, Matemática, Informática, Codificação, Robótica e Empreendedorismo. As oficinas do Programa investem no desenvolvimento das habilidades cognitivas e comportamentais, estimulando o talento, a expressão individual, a criatividade, a sociabilidade e a mentalidade empreendedora, dando uma base importante para que sejam bem-sucedidos em qualquer carreira do século 21.

No último ano de atendimento, é oferecido o Preparatório, reforço de matemática e português, que visa à participação em concursos para escolas de excelência. Oficinas complementares opcionais de Desenho, Artesanato, Jornal, Desenvolvimento Expressivo e Xadrez são oferecidas a todos os participantes. Realizado na Sede do IRS, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, o Desenvolvendo Talentos já atendeu cerca de 960 participantes.

Um desses talentos é Pedro Miguel Santiago. Ele ingressou no IRS em 2012 e permaneceu no Programa Desenvolvendo Talentos por quatro anos, período em que participou das oficinas de Criação, Dança e Empreendedorismo. Em 2016, foi aprovado no Colégio Pedro II e, no mesmo ano, fez curso de saxofone na Escola de Música Villa-Lobos, com bolsa parcial, e foi aprovado para estagiar no Ministério Público em nível médio. No início de 2018, Pedro participou da 1a fase da Olim­píada Internacional Matemática Sem Fronteiras, competição internacional de matemática em equipes e interclasses para estudantes dos ensinos fundamental e médio.

Ao conquistar a 2a colocação na etapa estadual e a 3a colocação na etapa nacional, Pedro Miguel foi selecionado para participar da Asia International Mathematical Olympiad (AIMO), em Hong Kong, e ganhou medalha de bronze. Em novembro de 2018, conquistou o Prêmio Lions Jovem Cientista, do Lions Clube, pelo projeto autoral de um mini-helicóp­tero quadrotor movido por movimentos musculares através de sensores cardía­cos. Para o futuro, Pedro Miguel quer ingressar em uma faculdade nos Estados Unidos e atuar na área de Engenharia. “O IRS me ajudou a descobrir coisas novas que eu não conhecia e me descobrir como pessoa para seguir em frente na vida”, disse.

Inteligência e inteligentes

Não há consenso no que se refere a classificar a inteligência e consequentemente os inteligentes. Os duvidosos testes de QI, cujos resultados já levaram muita gente ao psicanalista, não levam em conta certas inteligências que se escondem em obscuras regiões da mente.
Howard Gardner, psicólogo cognitivo e educacional americano, propõe a Teoria das Inteligências Múltiplas (Gardner, 1995) como uma alternativa para a visão universalista da inteligência, descrita como uma capacidade inata e única, que permite aos indivíduos um desempenho geral em qualquer área da atuação humana.

A perspectiva da pluralidade da mente sugere que a competência cognitiva humana é descrita como um conjunto de capacidades, talentos ou habilidades mentais, chamadas de inteligências. Todos os indivíduos normais possuem cada uma dessas capacidades em certa medida; os indivíduos diferem no grau da capacidade e em sua combinação.

Gardner define a inteligência como a capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos importantes em um determinado ambiente ou comunidade cultural. As competências cognitivas foram identificadas em oito inteligências, de acordo com critérios previamente selecionados. Em um primeiro momento, sete inteligências foram identificadas (Gardner, 1994): musical, corporal-cinestésica, lógico-matemática, linguística, espacial, interpessoal e intrapessoal. Anos depois, Gardner (2001) acrescentou a oitava inteligência, a naturalista. Pode, sim, haver muitas outras, ainda a serem descobertas.

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