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19 de novembro de 2019

Projetos sustentáveis da Statkraft no Brasil focam o empreendedorismo social

A companhia de energia renovável norueguesa mantém no país, como parte de seu programa de sustentabilidade, projetos de educação ambiental e de geração de renda que incentivam a produção e a venda de artesanato e produtos alimentícios e apícolas, beneficiando as comunidades carentes do entorno de suas unidades. 

No Brasil desde 2012, a companhia norueguesa Statkraft Energias Renováveis vai investir cerca de R$ 2 bilhões de reais para implementar dois complexos eólicos na Bahia, aumentando o número de unidades produtoras de energia limpa no país. Em função disso, estão sendo desenvolvidos novos projetos de responsabilidade socioambiental para as comunidades do entorno dos complexos, nos mesmos moldes de programas já existentes e que foram criados pela empresa como contrapartida para a obtenção da licença ambiental.

O licenciamento ambiental leva em conta os impactos para o meio ambiente e para as comunidades locais decorrentes da implantação de projetos de infraestrutura – caso da transmissão de energia – e exige que as empresas mantenham programas de compensação como contrapartida para o funcionamento. Até o final do ano passado, o parque gerador de energia brasileiro era formado por 632 usinas em operação comercial, divididas entre hidrelétricas, termelétricas, eólicas, pequenas centrais hidrelétricas, fotovoltaicas e nucleares. A Aneel estima que existam mais de 2.500 projetos mantidos pelas companhias com o objetivo de mitigar ou compensar o impacto socioambiental de suas operações.

“A Statkraft está comprometida com o desenvolvimento sustentável das comunidades onde atua, apoiando e mantendo projetos de geração de renda e de preservação ambiental, de modo a promover o bem-estar social e econômico das populações locais”, afirma Bianca Barros, coordenadora de meio ambiente da empresa no Brasil. Segundo ela, com a ampliação das atividades da empresa na Bahia, a companhia está trabalhando para a consolidação de novos projetos que serão iniciados em 2020 e que estão alinhados com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas.

A empresa já mantém projetos de geração de renda e educação ambiental em seis Estados. Um deles é o Artesãs Filhas do Vento, criado em 2013 na área de influência direta do parque eólico da Bahia e que beneficia 17 famílias das comunidades de Perdidos, no município de Seabra, e Sumidouro, Baixio de Sumidouro, Papagaio e Mangabeira, no município de Brotas de Macaúba. O projeto promove a capacitação técnica permanente de 18 artesãs que confeccionam artesanato com a palha do licuri (palmeira sertaneja cujas folhas rendem a palha, e o fruto pode ser consumido torrado ou usado na produção de doces, licores, óleo e leite), licores artesanais a partir de frutas regionais e ervas medicinais, além de alimentos derivados da mandioca.

Artesãs Filhas do Vento produzem artesanato a partir da palha do licuri na sede do projeto

“Esse projeto empodera as artesãs do semiárido baiano ao ajudá-las a complementar suas rendas”, explica Bianca. “O complemento chega a constituir um aumento de até 50% na renda da família”.  Além do apoio na gestão financeira, na realização de cursos de aprimoramento, em parceria com o poder público, e no auxílio na participação em eventos e feiras, a Statkraft atua como consultora na elaboração de documentos e como difusora das atividades do grupo por meio das redes sociais. A empresa também construiu a sede do Filhas do Vento em Sumidouro, onde realiza oficinas e acompanhamentos mensais para identificar as dificuldades e os avanços do grupo, de modo melhorar o desempenho das ações. Foi em uma dessas oficinas que saiu a ideia de criar uma página no Facebook, o que possibilitou o início das divulgações e as vendas de longo alcance. Por meio do perfil na rede social, as artesãs receberam de uma organização do Rio de Janeiro uma encomenda de 500 chapéus de palha de licuri.

Perfil do projeto na rede social tornou o artesanato de palha de licuri conhecido em outros Estados

Com o sucesso conquistado na rede social, o grupo passou a ser convidado para participar de feiras e eventos em comunidades e cidades vizinhas e até a formar parcerias em pontos comerciais de Seabra para a venda de seus produtos. Para Ana Maria dos Santos, atual presidente do Artesãs Filhas do Vento, a renda complementar as ajuda a comprar, entre outras coisas, remédios e itens para suas casas, o que não seria possível sem a participação no projeto. O projeto também realiza cursos que podem diversificar as atividades do grupo, como o de temperos e o de ervas medicinais, ampliando o portfólio de produtos das artesãs.

Na busca pela diversificação do Filhas do Vento, a Statkraft colocou o grupo em contato com outro projeto mantido pela empresa em Sumidouro, o Reniva – a Rede de Multiplicação e Transferência de Material Propagativo de Mandioca com Qualidade Genética Fitossanitária, que foi criada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com o objetivo de escolher e desenvolver as melhores e mais produtivas espécies de mandioca por meio do cultivo de mudas de melhor qualidade e mais resistentes a pragas e doenças. Em 2015, a Statkraft fez parceria com a Embrapa, a prefeitura de Brotas e a Associação Comunitária de Sumidouro, para instalar uma Unidade de Multiplicação Rápida para produção de manivas (mudas de mandioca melhoradas) dentro da área da Statkraft na comunidade de Sumidouro.

O projeto da Embrapa visava à produção apenas de mudas de maniva, mas a Statkraft realizou um estudo de campo viu que seria possível aprimorar as técnicas iniciais de produção da maniva para produzir raízes de mandioca aptas para o consumo e para o beneficiamento. A Statkraft contratou uma empresa para acompanhar a produção das mudas. Três pessoas cuidam da muda, um engenheiro ambiental faz a gestão de projeto e as pesquisas de campo e um assistente social faz o acompanhamento das comunidades beneficiadas pelo programa.

Produção de mudas de maniva na área da Statkraft, em Sumidouro: 18 toneladas de mandioca em 2018

Em 2018, o projeto produziu 18 toneladas de mandioca e 9.000 mudas de maniva. Parte da produção de mandioca foi comprada pelas prefeituras para inclusão na merenda escolar. Outra parte foi doada para as famílias das comunidades do entorno do complexo eólico, que passaram a contar com assistência técnica no beneficiamento das raízes, melhorando a segurança alimentar e o melhor aproveitamento da mandioca na produção de derivados, como farinha de tapioca, farinha de mandioca, féculas, gomas e polvilhos. Das sete espécies de manivas produzidas no projeto, seis são de mandioca e uma de aipim. Esta última é a mais utilizada para os chamados produtos de mesa, como aipim cozido e frito, bolos, doces e pizzas. O projeto Reniva beneficia 48 famílias do entorno do complexo eólico. O projeto ainda distribuiu 3.189 mudas de maniva para 62 famílias.

Produção apícola

A comunidade de Boa Vista, também no entorno dos parques eólicos, é beneficiada com dois projetos da Statkraft: o de apicultura e o de produção de doces artesanais. O projeto de apicultura teve início em 2008, quando duas mulheres da comunidade Boa Vista adquiriram alguns equipamentos para a prática da atividade, mas a falta de estrutura e experiência as levavam a uma produção tímida de mel. Em 2015, a Statkraft identificou um grande potencial da atividade e acolheu o projeto, investindo em equipamentos e kits de apicultura (caixas, roupas, mesa, centrífuga). Trinta colmeias e parte dos equipamentos foram doados para um grupo de apicultores com sede na comunidade de Malhada, mas envolvendo também as comunidades de Boa Vista, Mangabeira e Papagaio. Esse grupo já conhecia a atividade por meio do trabalho iniciado pelas duas mulheres em 2008. Setenta colmeias e o restante do equipamento adquirido pela Statkraft foram doados ao Povoado de Sumidouro, com o intuito de iniciar ali a apicultura.

Com o projeto de apicultura, famílias beneficiadas já conseguem viver exclusivamente da atividade

Além dos equipamentos doados, a Statkraft passou a fazer o acompanhamento técnico e de gestão dos grupos e a realizar cursos de capacitação em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Brotas e a Associação de Apicultores do Vale do Riacho Grande (AAPIVARG). A empresa também contratou um profissional especializado em apicultura, da Cooperativa Regional dos Apicultores do Médio São Francisco (COOPAMESF), para dar aos dois grupos assistência no manejo. Os primeiros resultados foram significativos. Em 2016, a produção foi de 282 kg de mel, um salto de 213% em relação ao ano anterior. Em 2017, foram produzidos 303,5 kg e, em 2018, 460 kg.

A produção apontou crescimento sem aumentar o número de colmeias, somente com aperfeiçoamento do manejo. As famílias envolvidas no projeto já começam a exercer a apicultura como atividade principal de geração de renda e a diversificar a produção de derivados de mel.

Doces do semiárido baiano

Outro projeto na região com apoio técnico da Statkraft desde 2017 e que está relacionado à produção local de mandioca derivada da maniva é o Frutidoce. Trata-se de um grupo formado por seis mulheres, membros da Associação Comunitária Povoado de Boa Vista (Ascobovi) – da comunidade Boa Vista, no município de Brotas de Macaúbas –, que produz doces, polpas, e biscoitos a partir da raiz e de frutas do semiárido baiano.  O grupo começou suas atividades depois de receberem da associação o maquinário para o beneficiamento da mandioca e realizarem um intercâmbio com outro grupo de fabricação de doces, o Doces do Araci. As mulheres passaram a produzir geleias, compotas, sequilhos e biscoitos e vendê-los nas comunidades vizinhas, feiras regionais e pontos comerciais. Com a ajuda das redes sociais, passaram a vender para outros municípios e Estados.

Grupo da Frutidoce participa de feira regional com produção de doces de frutas do semiárido baiano

As frutas utilizadas saem diretamente dos quintais dessas mulheres e de produtores que fornecem a matéria-prima, ambos acompanhando o ciclo de safra natural, e de frutíferas nativas, também de acordo com seu ciclo de produção natural. O grupo promove geração de renda para toda a cadeia da comunidade e até mesmo para as comunidades vizinhas, além de fomentar a atividade de fruticultura na região sem uso de tecnologias ou insumos químicos. O projeto beneficia diretamente 15 famílias, e a Statkraft também participa com a doação de mudas de frutíferas e de maniva.

Preservação ambiental

A Statkraft é uma empresa internacional, líder em energia hidrelétrica e a maior geradora de energia renovável da Europa. O grupo produz energia hidrelétrica, eólica, solar, a gás e fornece aquecimento urbano. A Statkraft é uma empresa global em operações no mercado de energia, com 3.600 funcionários em 16 países. Desses 203 trabalham no Brasil.

Para a Statkraft – primeira geradora a oferecer energia renovável rastreável com garantia de origem no Brasil e na Índia – garantir que suas operações sejam sustentáveis é peça-chave para a transformação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, em práticas que impulsionam o desenvolvimento das comunidades. Para a empresa, conscientizar as comunidades do entorno de suas operações para a preservação ambiental é fundamental, tanto que ela mantém um programa de educação ambiental junto a escolas públicas da área do Complexo Eólico da Bahia.

O Programa de Educação Ambiental e Comunicação Social é realizado mensalmente com atividades desenvolvidas em seis escolas, atendendo 200 alunos e 1.100 pessoas das comunidades próximas. A empresa distribui informativos e folders e realiza palestras, além de promover rodas de diálogo com as crianças, adotando uma metodologia de memorização que faz com que os alunos compartilhem as informações aprendidas com seus familiares, em suas casas. As escolas das comunidades são multisseriadas. Sendo assim, são estruturadas ações diversas para cada série, respeitando as limitações existentes, conforme calendário escolar, calendário do Ministério do Meio Ambiente e temática de interesse das comunidades.

Aula de educação ambiental em uma das escolas do entorno do complexo eólico da Bahia

A Statkraft estrutura um plano anual junto com as escolas, priorizando a realização de atividades lúdicas e dinâmicas, tais como músicas, paródias, cordéis, teatros preparados pelos alunos e vídeos educativos, conhecidos como Cineverde. Como resultado das ações desenvolvidas, a Statkraft organiza anualmente, na praça do Povoado de Sumidouro, uma festa temática em comemoração ao Dia das Crianças. O evento, que é aberto a toda a comunidade, aborda questões ambientais e estimula a apresentação das ações desenvolvidas com as crianças durante o ano. A atração ainda dispõe de brincadeiras, distribuição de brinquedos, comidas, doces e bebidas, fornecidos pela Statkraft, que contrata, sempre que possível, os serviços das Artesãs Filhas do Vento e do Frutidoce, a fim de realizar a integração dos projetos.

A empresa também promove ações de valorização ambiental com comunidades indígenas dos municípios de Faxinalzinho e Nonai (Rio Grande do Sul). As ações têm o objetivo de contribuir para a qualidade ambiental das comunidades e terras indígenas locais, principalmente nos aspectos florestais, hídricos e de saúde pública, bem como para a valorização da cultura e melhoria da qualidade de vida das comunidades indígenas Votouro São Valentin (Terra Indígena Votouro Kaingang) e da Associação Terra Indígena Toldo Guarani (Terra Indígena Guarani Votouro).

Além disso, a companhia está trabalhando para a replicação ou consolidação de novos projetos socioambientais em diferentes ativos da Statkraft, alinhando suas atividades à Agenda 2030 e aos ODS da ONU.  “Como empresa socialmente responsável, apoiamos projetos que beneficiam o ser humano, que respeitam o meio ambiente e atuem de forma sustentável e responsável”, finaliza Bianca.

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