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25 de junho de 2019

Renova Ecopeças promove a inclusão social com a reciclagem de veículos

Empresa do Grupo Porto Seguro dá destinação ambientalmente correta a cerca de 200 carros avariados por mês em processo que envolve as comunidades carentes de seu entorno. Peças recicladas são revendidas ao consumidor final ou à indústria como matéria-prima

A cada ano, 27 milhões de veículos em todo o mundo são aposentados voluntária ou compulsoriamente. Esse número representa cerca de 30% da produção global anual de automóveis. Tanto carro parado tem que ir para algum lugar, não é mesmo? Enquanto na maioria dos países o fim da vida útil de um veículo se tornou um problema ambiental (os carros vão parar em aterros sanitários, ferros-velhos ou são abandonados nas ruas ou em pátios de descarte), nos EUA, Europa e Japão, isso é sinônimo de economia sustentável rentável, já que aproximadamente 86% de todo o material que compõe um automóvel pode ser reciclado, reutilizado ou usado para recuperação de energia.

Nos EUA, o campeão mundial de reciclagem de automóveis e onde 95% dos veículos aposentados (cerca de 12 milhões de carros) são reciclados, esse mercado movimenta anualmente US$ 25 bilhões e emprega 140 mil pessoas. Por ano, são coletados, reutilizados e reciclados cerca de 30 milhões de litros de combustível (gasolina e diesel), 90 milhões de litros de óleo de motor, 30 milhões de litros de fluidos refrigerantes para motor, 19 milhões de litros de fluido do limpador de para-brisa e 96% de todo o chumboácido das baterias. Junto com Japão e Europa, os EUA detêm 70% desse mercado global de reciclagem de automóveis. Aqui no Brasil, segundo o Sindinesfa (Sindicato das Empresas de Sucata de Ferro e Aço), apenas 1,5% da frota nacional de veículos em final de vida útil é reciclada.

Essa forma de descarte correto só começou a ganhar força a partir de 2014, quando entrou em vigor no Estado de São Paulo a Lei do Desmanche. O intuito da lei era coibir o mercado negro de peças retiradas de carros roubados, ao estabelecer que apenas os desmanches credenciados no Detran e na Secretaria da Fazenda pudessem vender peças de reúso para o consumidor final. Além de apontar uma saída para um problema de segurança pública, a lei abriu espaço para a solução de outro problema: o destino de milhares de carros em fim de vida útil que, abandonados nas ruas, em terrenos baldios, em pátios do Detran, em rios e lagos, só para citar alguns pontos de descarte, representam um risco à saúde pública e ao meio ambiente.

A Porto Seguro, uma das maiores seguradoras do país, viu na Lei do Desmanche uma oportunidade para fazer o descarte ambientalmente correto dos carros irrecuperáveis. Um ano antes de a lei entrar em vigor, a Porto já vinha estudando uma maneira de reciclar esses veículos, levando em conta o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que estabeleceu metas para descarte de resíduos nos lixões e aterros sanitários. A empresa realizou pesquisas de campo, visitou mercados mais maduros na reciclagem de automóveis, se familiarizou com as tecnologias de separação de peças e fluidos e, em 2014, acabou montando a Renova Ecopeças.

Localizada na Vila Jaguará, área industrial da cidade de São Paulo, a Renova desmonta atualmente 200 carros por mês. Parece pouco quando comparamos com o mercado internacional, mas foi preciso muito teste e aprendizado para chegar a esse montante. “Quando começamos, levávamos quase 12 horas para desmontar um único veículo”, conta Fabio Frasson, superintendente da Renova Ecopeças. “Como a linha de desmontagem não é o inverso da linha de montagem de um veículo e cada carro é um desafio que depende do tamanho da batida, tivemos que rever processos, reconfigurar as linhas de desmontagem, criar ferramentas para a retirada de alguns componentes e alterar a ordem dos desmontes; enfim, fomos nos adaptando até conseguir reduzir o tempo para 2,15 horas.”


Processo de reciclagem automotiva começa com o desmonte das partes móveis do veículo

Com capacidade instalada para desmontar muito mais do que os atuais 200 veículos mensais, a empresa ainda trabalha no desenvolvimento e adaptação de processos que permitam separar todas as peças de um carro em menos de duas horas. “Quando esse momento chegar, vamos começar a pensar em receber veículos recolhidos pela seguradora fora do Estado de São Paulo e até de outras empresas”, diz ele.  A fim de verificar a capacidade de processamento dos veículos, a Renova já fez pilotos com o Detran para processar os carros recolhidos que não foram vendidos em leilões.

O PROCESSO DE DESMONTAGEM

Toda seguradora deve classificar os veículos recolhidos em três tipos: pequena, média e grande monta. O primeiro e o segundo podem retornar ao mercado, ir a leilão ou voltar a circular. Já o terceiro tipo, os irrecuperáveis, pode ir a leilão como sucata e ser vendido a empresas especializadas e desmanches legalizados. A Renova processa os veículos enquadrados na classificação de grande monta e depois revende as peças para o consumidor diretamente no balcão ou para todo o Brasil pelo site. Os preços são até 85% menores do que os de uma peça nova.


Na linha de desmontagem fina, peças mecânicas são separadas de acordo com seu estado

O processo de desmontagem dos veículos é dividido em sete etapas: triagem, identificação, descontaminação (a retirada de todos os componentes lesivos ao meio ambiente), desmontagem, classificação das peças, destinação ambiental e aplicação de sistemas de rastreamento, essencial para garantir a procedência da peça. Na linha de desmontagem, primeiro são retiradas as partes móveis, como portas, capôs, bancos e rodas. Em seguida, a parte mecânica. O conjunto mecânico completo segue para a linha de desmontagem fina, onde as peças de segurança são separadas e enviadas para remanufatura ou para o fabricante, já que a legislação proíbe sua venda para o consumidor final.

Depois que todo o veículo foi desmontado, a equipe da Renova classifica cada uma das peças de acordo com o estado. Peças A estão em perfeitas condições e são consideradas Plug & Play. Elas podem custar ao consumidor final até 70% menos do que uma nova. Peças do tipo B trazem uma pequena avaria estética que não compromete a funcionalidade. Custam 80% menos que no concessionário. As peças C são as que estão muito avariadas e com a funcionalidade comprometida. Elas viram matéria-prima para diferentes setores da indústria, como o de siderurgia, que reaproveita o material em vergalhões para a construção civil ou em componentes para a indústria automotiva.

Nos EUA e no Canadá, mais de 14 milhões de toneladas de aço reciclado são derivadas de veículos reciclados. É aço suficiente para produzir 13 milhões de novos veículos por ano, já que um carro tem cerca de 60% de sua composição feita de aço e materiais ferrosos. O aço usado para o casco de um carro, incluindo as portas, capô, porta-malas e painéis, contém um mínimo de 25% de conteúdo reciclado.

O MEIO AMBIENTE AGRADECE

Estima-se que um carro reciclado equivale a menos 3,7 kg de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Além disso, durante o processo de desmonte, fluídos e outros materiais que não podem ser aproveitados recebem uma destinação ambientalmente correta, diminuindo risco como o de contaminação do solo e da água.

Quando a indústria de siderurgia usa a sucata de aço em vez do minério de ferro na manufatura de um novo produto, consegue reduzir 75% no uso de energia, 90% no uso de matéria-prima, 86% na poluição de ar, 40% no uso de água, 76% da poluição de água e 97% dos resíduos de mineração.

Plásticos, vidros, pneus e metais, que correspondem a 10% de um veículo, também podem ser reciclados, o que reduz a emissão de gases de efeito estufa e o consumo de recursos naturais para fabricação de outros bens. Para se ter uma ideia, quando quatro pneus são reciclados, cerca de 110 kg de CO2 são retirados da atmosfera. Os pneus de um carro classificados como inservíveis para o consumidor final vão para os recicladores de borracha, que os transformam em sola de sapato, asfalto, pisos de parques infantis e até em móveis de jardins.


Depois de desmontadas, as peças recicladas vão para o estoque, de onde sairão para o consumidor final

Os benefícios da reciclagem de veículos não param no meio ambiente para a Renova. A empresa promove a inclusão social ao empregar mão-de-obra das comunidades do seu entorno. Dos 35 funcionários, seis vêm de comunidades carentes e um é egresso do sistema prisional. “Além de dar um destino mais nobre aos carros em final de vida útil, nós conseguimos promover a inclusão social, inserindo essas pessoas no mercado de trabalho”, explica Frasson. “Nosso maior investimento foi no capital humano, na capacitação do pessoal e no desenvolvimento da consciência ambiental”.

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