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8 de agosto de 2019

Sistema hídrico autossustentável garante 100% do abastecimento de água de shopping de SP

Impulsionado pela crise de abastecimento de água que atingiu São Paulo entre 2014 e 2016, o Cantareira Norte Shopping incluiu em seu projeto um sistema de tratamento de água e esgoto que fornece 100% da água utilizada no empreendimento. Com isso, deixou de depender do fornecimento dos reservatórios da Sabesp e de jogar 4,5 milhões de litros de esgoto na rede de saneamento básico da Região Metropolitana.

De 2004 a 2016, o Estado de São Paulo viveu a pior crise hídrica de sua história. Sua principal fonte de abastecimento de água, o Sistema Cantareira, reservatório administrado pela Sabesp responsável pelo fornecimento de água de cerca de 8 milhões de pessoas, chegou a níveis baixos alarmantes, gerando sérios problemas para residências e comércios da Região Metropolitana de São Paulo. O desmatamento, a ocupação desenfreada da área de mananciais, a falta de planejamento do Governo do Estado e o período de seca prolongado foram apontados, na época, como os principais responsáveis pela crise.

Sistema Cantareira durante a crise hídrica, há três anos (Foto: Divulgação)

Diante desse quadro, os arquitetos que projetavam o Cantareira Norte Shopping, empreendimento comercial inaugurado em 2016, se viram diante do desafio de substituir integralmente o sistema convencional de fornecimento de água por outro que, além de preservar o meio ambiente ao evitar desperdícios, garantisse ao centro de compras autonomia de abastecimento durante os períodos de estiagem e em possíveis novas crises. Optaram pela implantação de um sistema hídrico autossustentável, que inclui Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) e Estação de Tratamento de Água (ETA), com captação de água da chuva e poço artesiano para água potável, ampliando a pegada sustentável do projeto.

Instalada no subsolo do empreendimento e com custo de implantação de cerca de R$ 4,3 milhões, a solução trouxe ganhos não somente para o empreendimento, mas também para a região. Com uma média diária de consumo que varia entre 80 mil e 100 mil litros de água, o shopping não tira uma única gota do Sistema Cantareira. Seu sistema de água potável vem da captação do poço artesiano e de águas pluviais. A chuva que cai no telhado e no estacionamento é canalizada e vai para a ETA, onde, junto com a água do poço, é tratada e armazenada em dois tanques de 250 mil litros, já pronta para o consumo nas pias dos banheiros e nas cozinhas da praça de alimentação. 

O shopping também não despeja um litro de esgoto sequer no sistema de saneamento básico. Sua ETE trata até 4,5 milhões de litros de esgoto por mês, vindos dos sanitários e da praça de alimentação. O armazenamento desse esgoto é feito em um reservatório na ETE, onde processos químicos e biológicos de purificação o transformam em água residuária em apenas quarenta minutos. Essa água de reúso é utilizada na irrigação de cerca de 2.000 m2 de paisagismo, nos vasos sanitários e nas torres de ar condicionado do empreendimento. “Somos 100% autossuficientes. O sistema garante o abastecimento do shopping na totalidade de sua demanda”, diz Geraldo Carvalho, superintendente do shopping.

A administração do shopping contratou a General Otis para cuidar das estações de tratamento e fazer avaliações laboratoriais periódicas da qualidade da água tratada. Um funcionário da Otis fica no local acompanhando o funcionamento das estações e fazendo a coleta de amostras para análise, garantindo que a água potável esteja pronta para consumo.

Bom para a imagem

Para Carvalho, foi muito importante que o shopping tenha se decidido pelo sistema hídrico autossustentável ainda na concepção do projeto. “Dessa forma, estamos utilizando muito pouco dos recursos naturais, preservando o meio ambiente”, diz. Ele destaca ainda que o empreendimento adotou outras medidas sustentáveis visando a redução do impacto ambiental.

O projeto do shopping prevê o uso de iluminação natural na maior parte do tempo, com claraboias posicionadas estrategicamente para permitir a passagem da luz. Ao entardecer, um sistema de iluminação artificial inteligente de LED, com baixíssimo consumo de energia, é acionado automaticamente. A torre de ar condicionado tem boa eficiência energética, com um sistema de automação que regula o posicionamento e dimensiona o consumo dos equipamentos de acordo com a temperatura externa.

Estação coletora de descarte de lixo eletrônico (Foto: Divulgação)

A preocupação com o consumo de energia também é refletido nos elevadores e escadas rolantes, que, quando não estão sendo utilizados, entram no modo de hibernação, reduzindo o consumo nos períodos de ociosidade. E agora o shopping se prepara para o projeto Lixo Zero. Atualmente, o lixo produzido e separado no shopping vai para estações de tratamento de recicláveis e aterros sanitários, mas a empresa está fazendo parcerias com ONGs para que todo o lixo produzido pelos 400 mil visitantes mensais tenha a destinação ecologicamente correta. A administração do complexo também instalou uma estação coletora de lixo eletrônico, para o descarte de celulares, baterias e outros componentes que não devem ser descartados no lixo comum.

“A preocupação com o meio ambiente vem crescendo muito entre os shoppings”, diz Carvalho. “Os mais antigos estão fazendo adaptações para se adequar aos novos tempos, e os novos empreendimentos já nascem dentro de um modelo sustentável, o que é muito bom para a imagem deles”. O relatório de sustentabilidade da Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce) mostra isso. Segundo o documento, os shoppings tratam 18,6 bilhões de litros de água por ano – o equivalente a 620 piscinas olímpicas por mês. O tratamento de água de reúso chega a 6,6 bilhões de litros por ano.

Vista aérea do Cantareira Norte Shopping (Foto: Divulgação)

Com mais de 220 lojas e cinco salas de cinema, o Cantareira Norte Shopping ocupa uma área de 70 mil m2 ao lado do Parque Estadual da Cantareira, região de Mata Atlântica nativa na Zona Norte de São Paulo. Na época de sua construção, houve polêmica em relação ao número de árvores cortadas, mas o shopping fez a compensação com o plantio de mais 4.500 mudas.

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