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20 de abril de 2019

Tuhu, o trem musical de Villa-Lobos nas escolas

Tuhu! Tuhu! De tanto imitar o apito do trem que passava, o menino Heitor ganhou o apelido com o qual era chamado em toda a sua infância: Tuhu. Adulto, já como maestro Heitor Villa-Lobos, um dos maiores nomes da música, ele não imitava sons, mas transformava-os em obra de arte.

Acalentava o desejo de ver a música disseminada nas escolas brasileiras. O projeto social Brasil de Tuhu – patrocinado pelo Grupo Wilson Sons desde 2014 – comemora dez anos em 2018, vem aos poucos realizando o sonho do compositor de “Trenzinho Caipira”. O programa levou a boa música a 219 escolas públicas de 40 municípios de 17 estados do País, percorrendo mais de 63.156 km. Com uma média de 50 concertos didáticos por ano, capacitou 476 educadores e impactou cerca de 30 mil crianças.

Este ano, em agosto, para comemorar seus dez anos de existência, o projeto sai pela primeira vez em turnê nacional com o Quarteto Brasil de Tuhu, formado por jovens estudantes e liderado pela coordenadora pedagógica e violonista Carla Rincón. Serão apresentados podcasts gravados por músicos, em parceria com a Rádio MEC, para documentar histórias de artistas que revolucionaram a música brasileira.

“O objetivo do programa Brasil de Tuhu é aproximar as crianças do universo da música brasileira; estética que, muitas vezes, está distante dos seus cotidianos. Para isso, desenvolvemos uma série de ações que envolvem também os estudantes e educadores”, explica Carla Rincón, idealizadora do Brasil de Tuhu. “Estas atividades corroboram o nosso objetivo de ampliação e fortalecimento da educação musical no País.”

Além de patrocinar o Brasil de Tuhu, a Wilson Sons – e o trocadilho, no caso, é fortuito – disponibiliza colaboradores do grupo para atuarem como “embaixadores” do projeto. Eles atuam por meio do Programa de Voluntariado Empresarial “Criando Laços”, da empresa, fazendo a ponte entre a Baluarte, uma consultoria especializada em cultura, a comunidade local e as escolas. “O projeto é uma porta de conhecimento, onde existe uma via de mão dupla recebendo aprendizado e experiência para meus objetivos profissionais, também podendo compartilhar da boa música”, explica Matias Roque – violoncelista do Quarteto Brasil de Tuhu.

A realização de concertos didáticos, proposta original, desdobrou em várias outras atividades gratuitas, inclusive digitais. O projeto promove vivências musicais para educadores, além de videoaulas e da Rádio Tuhu. Também foi produzido um aplicativo para ensinar música a crianças, publicações como a Revista Tuhu, o Gibi O Brasil de Tuhu, o guia didático Brincando de Música, além do CD Brasil de Tuhu – Volume I.

A disseminação da cultura musical nas escolas, como queria Villa-Lobos, está em andamento, mas ainda está longe de ser plenamente realizada. Além de disseminar o ensino de música, capacitar professores e promover concertos, o Brasil de Tuhu realizou recentemente um mapeamento nacional de projetos, programas e instituições que atuam na educação musical no Brasil. Foram listados 2.040 projetos em todo o País, levando-se em conta o público atendido, instrumentos musicais utilizados, tipos de financiamento e principais dificuldades.

A pesquisa mostrou que 52% dos projetos, a maioria liderada por associações e ONGs, estão concentrados no Sudeste. Outra revelação é que a Lei 11.769, que tornou obrigatória o ensino musical nas escolas, teve pouco impacto: somente 38% a conheciam bem. O estudo mostrou ainda que 80% dos atendidos pelos projetos têm entre 11 e 14 anos de idade, a maioria sem formação musical, e que pelo menos 60% são destinados a pessoas com deficiência. Dos estilos musicais citados, a MPB é a mais frequente, seguida pela música clássica, samba, rock e sertanejo.

A forma de financiamento dos projetos é predominantemente privada: 37% doados por pessoas físicas, 32% de cobrança direta, 27% de doação de pessoas jurídicas, 22% de leis estaduais de incentivo à cultura, 19% de editais públicos, 18% da Lei Rouanet, 18% da venda de produtos, entre outros.

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