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15 de fevereiro de 2017

Um exército de voluntários para os trabalhos sociais

Gerir seus projetos sociais, abandonando o modelo filantrópico, baseado em doações, que até então pautava as empresas, para adotar o conceito e a prática de Responsabilidade Social. A decisão veio na esteira do Fórum Econômico Mundial, realizado em janeiro de 1999, e os desafios propostos às empresas para alcançar uma economia mais sustentável e inclusiva, conhecidos como os Oito Objetivos do Milênio.

Baseada no novo paradigma, que exigia mais comprometimento da organização com as questões da comunidade e impunha participação mais direta na gestão dos projetos sociais, a White Martins entendeu que o protagonismo das ações deveria envolver todos os escalões da companhia, dos dirigentes aos funcionários. “Antes a empresa simplesmente doava recursos e terceirizava a agenda social, mas depois passou a estabelecer uma parceria com as organizações e sempre que possível com a presença de voluntários”, explica Carolina Werneck.

O modelo de voluntariado corporativo adotado pela White Martins foi se aperfeiçoando com o tempo e hoje, além de contar com a boa vontade e o espírito solidário de seus funcionários, utiliza-se de ferramentas on-line para estimular o engajamento dos profissionais nas suas ações de diversidade, saúde e meio ambiente. Por meio da Oxigenar, uma plataforma digital lançada este ano pela empresa, os funcionários sugerem os projetos sociais e as ONGS que vão tocá-los, candidatando-se também para participar das ações durante todo o ano. A curadoria digital da plataforma é da ONG Instituto da Criança, que avalia a credibilidade das instituições sugeridas e, uma vez selecionadas, são abertas as vagas para os trabalhos voluntários. Para este ano seis projetos foram aprovados.

Os projetos sugeridos por funcionários, assim como todos os que fazem parte da estratégia de investimento social privado da empresa, passam por um rigoroso processo de seleção de diversas etapas e precisam ser aprovados por unanimidade no Comitê de Responsabilidade Corporativa, do qual fazem parte os diretores de Recursos Humanos, Comunicação, Finanças, Jurídico e Compliance. A cada quatro meses o Comitê reúne seus membros para analisar os projetos que se alinham à proposta da companhia.

A participação dos funcionários é mais visível nos projetos próprios da companhia, como é o caso do Verde & White, um programa que o grupo Praxair, controlador da White Martins, aplica em todas as suas subsidiárias da América do Sul. Criado em 1992 para difundir a importância da preservação ambiental, o programa leva professores e alunos da rede pública de ensino às unidades industriais, áreas degradadas e também recuperadas pela empresa. Os funcionários acompanham toda visita e fazem palestra para os visitantes sobre a política ambiental da companhia. Como parte final do projeto, os alunos produzem redações com base em temas de sustentabilidade, como “A Indústria e o Meio Ambiente”. Os melhores textos são premiados pela empresa. A ação dura um dia e ocorre, em média, em 30 unidades da companhia por ano.

Mais de 30 mil alunos de mil escolas públicas de todo o País já participaram do Verde & White e, só no passado, a ação impactou mais de mil estudantes. O projeto conquistou, em 2002, o Prêmio “Environmental Recognition Award”, conferido pela Compressed Gas Association (CGA/EUA), como Destaque Ambiental. Em setembro do ano passado, a unidade Belo Horizonte, em Minas Gerais, e as usinas de Três Lagoas e Eldorado, no Mato Grosso do Sul, realizaram edições do Programa Verde & White com alunos de escolas públicas de suas respectivas cidades. “Foi uma excelente oportunidade de mostrar às futuras gerações parte do nosso trabalho, que é movido por uma cultura sustentável”, ressaltou o voluntário Lyndemberg Dourado, gerente de Produção das unidades da White Martins em Três Lagoas e Eldorado.

Os voluntários da White também colocam a mão na massa nas ações solidárias da companhia junto a populações carentes que vivem nas proximidades de suas unidades industriais. No entorno da Fábrica de Carbureto de Cálcio, em Iguatama, Minas Gerais, eles fazem a distribuição semanal de cestas de verduras, legumes e frutas para a comunidade local. Os produtos são colhidos em uma horta mantida pela empresa em um terreno de 25 mil metros quadrados. Criado em 2004, o projeto já distribuiu mais de 500 cestas por semana.

As ações de responsabilidade social da White Martins voltadas para fora são fortalecidas com as políticas inclusivas adotadas dentro da própria casa. Há mais de 30 anos a empresa investe em iniciativas de diversidade interna, mas sua política de recrutamento para Pessoas com Deficiência é ainda anterior. O Programa de Treinamento e Absorção de Mão de Obra de Pessoas com Deficiência, que vigora até hoje, foi criado em 1975, muito antes da legislação de 1991, que passou a obrigar as empresas a adotarem cotas para deficientes no seu quadro de funcionários. Nos últimos anos, realizou obras e melhorias para aprimorar a acessibilidade em suas unidades e receber esses profissionais de forma mais amistosa.

A política de recrutamento da White Martins para pessoas com deficiência está focada na qualificação profissional e não necessariamente para preencher as vagas internas. No projeto Oportunidades Especiais, a companhia disponibiliza um posto avançado em locais de grande fluxo para atendimento e cadastro desses profissionais e incentivar a sua colocação em empresas de grande porte.

Fora de casa a empresa também apoia projetos sociais alinhados aos valores da diversidade e da inclusão, como a Escola de Gente, ONG que trabalha a inclusão de pessoas com deficiência na sociedade; o CaminhaDown, movimento em busca de direitos aos portadores da Síndrome de Down; a APAE-SP – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais; e o projeto “Taekwondo – exercícios para a inclusão IV”, desenvolvido pelo Instituto Olga Kos. Trata-se de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), que desenvolve projetos artísticos e esportivos para atender, prioritariamente, crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual. A atividade acontece em Diadema (SP), na sede regional da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e, desde sua primeira edição, em 2012, já beneficiou mais de 200 pessoas.

Para envolver seus funcionários na causa da inclusão de pessoas com deficiência, a companhia oferece treinamentos focados em diversidade para todos os funcionários e divulga uma cartilha com orientações para incentivar a inclusão nas equipes de pessoas com deficiência.

A disseminação para dentro de uma cultura de diversidade mais abrangente começou em 2010, a partir do engajamento, por meio de treinamentos e palestras, da presidência e da diretoria executiva da empresa. Em 2013 foi criado o Conselho de Diversidade, formado pela alta liderança da companhia, que define as estratégias para alcance das metas de diversidade e acompanha as ações. O Conselho tem como “garoto-propaganda” o presidente da empresa, Domingos Bulus, que atua como sponsor do tema, participando de fóruns e eventos internos e externos e divulgando mensagens para os colaboradores em comunicados.

Outras ações, como treinamentos presenciais e mais de 2 mil e-learnings, foram adotadas para fortalecer a cultura de diversidade. Em outra frente a empresa criou programas de estágio e parcerias acadêmicas para o desenvolvimento profissional de todos os colaboradores, procurando igualar as oportunidades, independentemente de gênero e raça. Com essa estruturação a empresa passou a garantir a diversidade de gênero nos processos seletivos.

Tomadas em várias direções e envolvendo todos os funcionários, as medidas em busca da diversidade surtiram efeito. Na White, a presença das mulheres já é superior à da maioria das empresas do setor químico. Em seis anos, a participação delas aumentou em 79% nos cargos de supervisão, 45% nos gerenciais e 184% nos de direção. Nos cargos iniciais, já somam 45,8% dos estagiários e 57,1% dos jovens aprendizes.

Nos últimos dois anos, a companhia contratou a primeira motorista e a primeira gerente de aplicações e processos, áreas predominantemente integradas por homens no mercado. A gravidez também não é encarada como um obstáculo na carreira: desde 2013, foram contabilizadas 10 promoções durante a gestação ou imediatamente após o período de licença-maternidade.

A inclusão de negros na empresa também aumentou. Hoje 30% dos empregados são afrodescendentes, número bem superior que a média das empresas. Somente na Diretoria Executiva de Negócios Medicinais, liderada por um negro, o diretor executivo Paulo Baraúna, ocorreu crescimento de 40% em diversidade nos últimos cinco anos. Em 2016, a

White Martins ampliou em 10% seu número de colaboradores negros. Os valores foram impulsionados pelo Programa de Diversidade Étnico-Racial da companhia e pelas parcerias firmadas com empresas do terceiro setor. O acordo com a Educafro permitiu a abertura de dez vagas extras de estágio e dez bolsas de estudo para universitários afrodescendentes. A identificação e contratação de talentos de trabalhadores negros também contou com a consultoria da EmpregueAfro.

Está em andamento um plano de desenvolvimento para 100 profissionais e 25 estagiários, entre homens e mulheres negros, que inclui treinamento, apresentação de projetos para diretores da empresa, cursos de inglês e espanhol, programa de coaching e mentoring e planos de sucessão.

A diversidade inclusiva da White ainda não chegou ao público LGBT, mas está a caminho. Por meio de consultorias especializadas, a empresa está fazendo pesquisas para criar grupos de discussão com a finalidade de entender e superar as principais barreiras para inclusão desse público e definir as estratégias que serão implementadas ao longo de 2016. Por ora, a White Martins assinou as cartas de adesão ao Fórum de Empresas e Direitos LGBT, que visa influenciar o meio empresarial e a sociedade para a adoção de práticas de respeito aos direitos desse público.

Mesmo em projetos terceirizados, aqueles em que a White Martins não participa da gestão, mas apoia financeiramente, o voluntariado da empresa entra em ação. Um deles é a Associação Saúde Criança, ONG criada em 1991 pela médica Vera Cordeiro, que assiste não apenas os pacientes, mas toda a família em saúde, educação, renda, cidadania e moradia. Os recursos da White, nesse particular, são alocados no programa Profissão, que procura dar condições de empregabilidade aos chefes de família para que possam gerar renda e se autossustentar e, sempre que possível, ficar próximo da criança durante o tratamento médico. O programa mantém, em sua sede no Rio de Janeiro e em outras unidades, oficinas nas áreas de culinária – confeitaria, salgados para festas, ovos de páscoa etc. – e beleza – cabeleireiro, manicure, maquiagem etc., além de parcerias com outras instituições para cursos de informática, soldador e cuidador de idosos, entre outros.

Para selar o engajamento de seus colaboradores em causas sociais, a White Martins criou em 2001 o Dia do Voluntariado. Nesta data um exército de 4 mil funcionários se distribui por cerca de 80 instituições no País para ajudar na conservação de asilos, creches e hospitais, exercendo atividades como jardinagem, pintura, limpeza e reparos nas redes elétricas e hidráulicas.

É verdade que alguns projetos patrocinados pela empresa não comportam a participação do voluntariado. O programa da ONG Doutores da Alegria, que tem como objetivo levar alegria, humor e diversão a crianças internadas em hospitais das cidades de Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, conta com uma dupla de palhaços, que fazem duas visitas por semana, seis horas por dia, totalizando 75 mil visitas por ano. O projeto foi incluído duas vezes pela Agência das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UN-Habitat) entre as melhores práticas globais.

Além do viés voluntário, a participação da White Martins em projetos sociais se caracteriza pela pluralidade das ações. A Escola de Informática e Cidadania, instalada desde 2005 na Fábrica de Equipamentos Criogênicos (FEC), em Cordovil, subúrbio do Rio de Janeiro, é voltada para estudantes da rede pública da região e filhos de empregados e de terceirizados de baixa renda da unidade. Lá, o projeto é desenvolvido em parceria com o Comitê de Democratização da Informática (CDI), organização não governamental que trabalha no combate à pobreza e à desigualdade, estimulando o empreendedorismo e formando agentes de transformação social.

Desde 2003, a White Martins é a única empresa do setor de gases industriais incluída no Índice Mundial de Sustentabilidade Dow Jones (DJSI), da Bolsa de Valores de Nova York. A companhia também figura, desde 2008, no Índice de Liderança de Divulgação de Carbono do Carbon Disclosure Project (CDP) – composto por empresas líderes em práticas de divulgação sobre mudanças climáticas. A solidariedade corporativa da White tem cores locais, mas o exemplo também vem de fora.

100 anos de muito gás

Presente no Brasil há mais de cem anos, a White Martins representa na América do Sul o grupo Praxair, multinacional com atuação em mais de 50 países e uma das maiores empresas de gases industriais e medicinais do mundo.

Seu portfólio de produtos inclui gases atmosféricos (oxigênio, nitrogênio e argônio), gases de processo (gás carbônico, acetileno, hidrogênio, misturas para soldagem), gases especiais e medicinais, equipamentos para aplicação, transporte e armazenamento de gases, soluções para o mercado de gás natural e comercialização de equipamentos oxicombustíveis e máquinas de corte.

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