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12 de setembro de 2018

Um experimento que deu certo

Uma imagem conhecida da exploração científica remete a um gênio excêntrico, de jaleco branco, em meio a tubos de ensaio fumegantes de vários formatos e tamanhos. De repente: Eureca! Num passe de mágica, surge a ideia inovadora, como no filme cult De Volta para o Futuro. Não é assim que funciona. Em países desenvolvidos, a iniciação científica faz parte de um projeto educacional que começa cedo – e mesmo no Brasil já há experiências nesse campo. A Fundação Siemens Brasil importou da Alemanha uma metodologia baseada na ideia de que a educação científico-tecnológica deve ser desenvolvida a partir da primeira infância e fomentada até o final do ensino secundário. O Projeto Experimento, como foi batizado, já impactou mais de 100 mil alunos em 81 cidades de 14 estados brasileiros.

Um projeto que busca despertar o interesse pela ciência em crianças e adolescentes desponta como uma luz de esperança no malfadado sistema público brasileiro de ensino. Senão vejamos. O Brasil ocupa a 59a posição no ranking de Ciências do último Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), entre 65 países participantes. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é um dos países que menos gastam com os ensinos Fundamental e Médio, enquanto que as despesas no nível universitário se assemelha às de países europeus.

O Brasil gasta anualmente US$ 3,8 mil (R$ 11,7 mil) por aluno do primeiro ciclo do Ensino Fundamental (até a 5a série), menos da metade da média desembolsada pelos países da OCDE, que é de US$ 8,7 mil. Luxemburgo, primeiro da lista, gasta US$ 21,2 mil. “Precisamos plantar a semente nos pequenos, pois na universidade se percebe uma queda na quantidade e qualidade da pesquisa científica”, diz a especialista de Sustentabilidade e Cidadania Corporativa da Fundação Siemens Brasil, Bianca Talassi.

O incentivo ao pensamento científico embutido no Experimento procura dar asas à imaginação dos alunos a partir da busca de soluções para problemas do cotidiano. Pela lógica do programa, a obesidade infantil, por exemplo, um problema de saúde pública, deve ensejar nas crianças o interesse pela alimentação mais saudável. Noções elementares de política, por sua vez, podem desenvolver o raciocínio e facilitar o entendimento maior sobre o sistema político. No limite, essas premissas vão ajudar crianças e adolescentes a escolherem melhor seus candidatos, anos depois, quando forem às urnas. “O pensamento científico pode ser aplicado em vários aspectos da vida”, explica Bianca. “Os alunos, ao se depararem com um processo de aprendizagem cíclico e crítico, baseado em fatos da vida cotidiana, serão cidadãos mais fortes socialmente e autônomos”.

No Brasil o programa tem entre seus multiplicadores o Colégio Visconde de Porto Seguro, Grupo Ser, Instituto Qualidade no Ensino, Instituto Ayrton Senna, Escolas Associadas da Unesco, Escola de Inventor, Instituto Sabin, Atina Educação, Basf, FCA e as prefeituras de Jundiaí, Juquitiba e Guaratinguetá. Desde 2015, o Programa Experimento vem sendo aplicado nas unidades da Educação Metodista, tanto na Educação Básica, quanto nas licenciaturas de Biologia, Matemática e Pedagogia da Universidade Metodista de São Paulo. Mais de 7 mil alunos da Educação Infantil e do Fundamental I já foram impactados pelo programa.

Outras empresas estão apoiando o Experimento no âmbito de suas ações de Responsabilidade Social. Na alemã Basf, foi incluído entre os sete projetos do Edital público “Conectar para Transformar em 2018” e já está sendo implementado na rede pública de ensino do município de Guaratinguetá, no interior de São Paulo. Recentemente, a Fundação Siemens firmou uma parceria com o Instituto Sabin para ampliar o espectro do programa no País e outro com a Fiat Chrysler para implantar o programa junto às escolas do entorno da sua fábrica em Pernambuco. Com a expansão do programa, a Fundação Siemens está pensando mais alto. Quer aproveitar a reformulação do ensino no País para incluir os principais fundamentos do Experimento – entre eles o incentivo à ciência – na nova grade curricular do Ministério da Educação.

Para atender às necessidades curriculares do ensino do País e as carências sociais em algumas regiões, como na Amazônia, onde há escolas em que o acesso é de barco, a metodologia desenvolvida pela Siemens Stiftung teve que ser tropicalizada. Mesmo assim, prevaleceu o princípio de procurar fortalecer nas crianças e adolescentes o conhecimento de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. O Experimento baseia-se na experimentação, exploração e compreensão de fenômenos naturais nos campos da energia, ambiente e saúde. “O professor é o coração dessa multiplicação do
saber científico”, explica Bianca. “Mas
em vez daquela aula passiva, com o quadro negro e crianças anotando, os professores saem da zona de conforto da sala de aula e conduzem a turma a partir de experiências livres para que cheguem a suas próprias conclusões.”
Coordenado globalmente pela Fundação Internacional Siemens Stiftung, além do Brasil, o Experimento está presente na Alemanha, África do Sul, Quênia, Chile, Peru, Colômbia, Argentina e México. No Brasil a Fundação Siemens reúne-se mensalmente com os seus impulsionadores para avaliar os resultados do programa. Há, além disso, pelo menos, um encontro anual. No ano passado, 50 parceiros e convidados, entre professores e secretários da Educação, reuniram-se na Universidade Metodista de São Paulo para o I Encontro Nacional do Programa Experimento.

A iniciativa teve como objetivo fortalecer o desenvolvimento do Projeto Experimento no País por meio do estabelecimento de uma rede de contatos entre todos os responsáveis envolvidos com a implementação do programa no Brasil; refletir sobre o cenário atual do ensino de Ciências e STEM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) na educação básica brasileira e enfatizar a importância do Projeto Experimento para a aprendizagem de alunos e também na formação de professores de escolas públicas e privadas. Em agosto deste ano, o Colégio Porto Seguro promoverá o II Encontro anual.

No fundo, o Experimento vem a atender uma necessidade da própria multinacional e de outras empresas provedoras de tecnologia na formação de técnicos de nível superior para as suas operações. A Siemens se ressente de falta de mão de obra especializada na área de tecnologia e está pensando no longo prazo. De fato, com cerca de 700 engenheiros/cientistas para cada milhão de habitantes, o Brasil é o segundo país, numa lista de 42, onde há maior dificuldade de se encontrar profissionais qualificados no mercado. Para suprir a demanda, seria necessário triplicar esse número.

Império mundial

Presente no Brasil desde 1867, quando instalou, entre a residência do imperador, no Rio de Janeiro, e a cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, a primeira grande linha telegráfica, a Siemens atua no País nos campos da energia, indústria, infraestrutura e saúde. Com faturamento anual de R$ 5 bilhões, tem cerca de 6 mil colaboradores, divididos em 12 fábricas, sete centros de Pesquisa & Desenvolvimento e 13 escritórios regionais.

É do setor elétrico que vem metade do faturamento da subsidiária. A companhia está presente em toda a cadeia de negócios do setor, da geração à transmissão, passando pela distribuição e serviços, avançando para termogeração a gás e energias renováveis (eólica e solar) e armazenamento em baterias.

Subsidiária do grupo alemão Siemens AG, um dos maiores conglomerados mundiais, a Siemens opera no Brasil 14 fábricas, incluindo a Siemens Gamesa, em Camaçari (BA) e da área de saúde, em Joinville. Nove estão no polo industrial de Jundiaí (SP), onde se faz de disjuntores a turbinas de geração de energia. As outras são Canoas (RS), Cabreúva (SP) e Manaus.

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