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30 de dezembro de 2016

Uma enxada na mão e agricultura familiar na cabeça

Em fins de novembro próximo, quando voltarem para suas terras, os 55 jovens agricultores de vários estados brasileiros, participantes da sexta edição do Intercâmbio da Juventude Rural Brasileira, terão conhecido diferentes realidades da vida rural do País. A vivência de sete dias em propriedades nos estados do Paraná e Santa Catarina, onde trocaram experiências, aprenderam novas técnicas agrícolas, conheceram tecnologias alternativas, visitaram propriedades de agricultores familiares, entre outras atividades, poderá transformar suas vidas. No retorno para os estados de origem, muitos poderão adaptar os novos conhecimentos à própria realidade.

O VI Intercâmbio da Juventude Rural é um programa de incentivo à agricultura familiar sustentável coordenado pelo Instituto Souza Cruz. Em todas as suas edições, já envolveu diretamente 500 jovens de todas as regiões do País. Em 2015, o programa foi reconhecido como estudo de caso pela Comissão Europeia, que capitaneou uma pesquisa internacional sobre os regimes de intercâmbio direcionado a jovens rurais no mundo. “Este reconhecimento aponta que estamos no caminho certo ao investir nesse público, que é o futuro da agricultura familiar no nosso País”, diz Allan Grabarz, gerente do Instituto Souza Cruz e coordenador da Rede Jovem Rural.

Essa nova geração de agricultores rurais está sendo educada para trabalhar com uma enxada na mão e uma ideia fixa na cabeça: a da agricultura familiar sustentável. Criada em 2005 e coordenada pelo Instituto Souza Cruz com o apoio de outras cinco instituições, a Rede Jovem Rural vem disseminando a máxima entre os jovens empreendedores do campo que, por meio de uma educação contextualizada, eles produzirão inovações na agricultura e criarão novos canais de comercialização. Com isso, além de viabilizarem o acesso a novos mercados, estarão habilitados para as novas profissões rurais, não necessariamente agrícolas.

Cinco organizações, juntamente com o Instituto Souza Cruz, formam a Rede. São elas: Associação Regional das Casas Familiares Rurais do Sul do Brasil (Arcafar Sul); Centro de Desenvolvimento do Jovem Rural (Cedejor); Movimento de Educação Promocional do Estado do Espírito Santo (Mepes); Movimento de Organização Comunitária (MOC); e Serviço de Tecnologia Alternativa (Serta).

Instituição reconhecida pelo Ministério da Justiça como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), o Instituto Souza Cruz atua por meio de programas que buscam preparar a próxima geração de agricultores para assumir os desafios da agricultura familiar brasileira, como o Empreendedorismo do Jovem Rural (PEJR), suspenso em 2012 e substituído pelo Novos Rurais.

Criado em 2001, o Programa Empreendedorismo do Jovem Rural(PEJR) foi implantado em parceria com o Centro de Desenvolvimento do Jovem Rural (Cedejor) em quatro territórios rurais no sul do País e formou mais de 600 alunos. O PEJR oferecia uma formação complementar à educação formal para jovens rurais com idades entre 16 e 29 anos, que tenham completado o ensino médio. A formação tinha como eixo o empreendedorismo, focado na agricultura familiar e no desenvolvimento rural sustentável. A partir do conhecimento e da realidade do jovem e de sua família, o PEJR estimulava ações para a melhoria da qualidade de vida e renda no campo.

Lançado em 2012, o Programa Novos Rurais procura transformar os jovens em agentes sociais, com potencial de alavancar melhores condições de vida para suas comunidades, gerando renda e tornando-se motores do desenvolvimento rural. Reconhecido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/ONU) como uma boa prática para o desenvolvimento sustentável, o Novos Rurais é aplicado em parceria com entidades de educação formal, oferecendo oportunidades aos estudantes do Ensino Médio dessas instituições para atuarem como agentes capazes de agregar valor aos produtos e serviços da agricultura familiar.

Com o investimento financeiro do Novos Rurais, as amigas Franciele Lima e Jeniffer Damazio, moradoras de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, transformaram a sala na casa de uma delas no “Espaço Vip” e oferecem serviços de cabelereiro, manicure, pedicure e depilação. Trata-se de um bom exemplo de atividade não agrícola ligada à prestação de serviços que contribui para o desenvolvimento local e garante a sustentabilidade dos territórios rurais.

A instalação de uma oficina mecânica na propriedade sempre foi um sonho para Henrique Guilherme Hirt, 18 anos, que vive com a família em Arabutã, em Santa Catarina. Com o repasse de recurso financeiro possibilitado pelo programa Novos Rurais e a ajuda da família, o jovem construiu sua mecânica para reparar máquinas e equipamentos da propriedade e também da vizinhança. “Antes, precisávamos de meio dia para soldar uma peça, hoje faço isso aqui em 15 minutos”, comemora Henrique, que pretende estudar e fazer cursos na área de eletrônica para oferecer também o serviço de consertos de eletrodomésticos.

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