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22 de janeiro de 2020

Projetos sociais da montadora alemã no Brasil transformam potencial em realidade

Fundação Volkswagen apoia iniciativas que promovem a mobilidade urbana e social. Uma delas é o Brincar, voltada aos direitos das pessoas com deficiência. Criado em 2005, o projeto é um dos vencedores do prêmio Zero Project 2020 na categoria práticas inovadoras e será apresentado em fevereiro, durante conferência da Essl Foundation, no escritório da Organização das Nações Unidas na capital austríaca.

A Fundação Volkswagen (FVW), braço social da montadora alemã, participa em fevereiro da Zero Project Conference 2020, evento da Essl Foundation que acontecerá de 19 a 21 de fevereiro no escritório da Organização das Nações Unidas (ONU), em Viena, na Áustria. Seu projeto de inclusão social Brincar recebeu reconhecimento global ao ser um dos vencedores do Prêmio Zero Project 2020. A conferência vai discutir políticas e práticas inovadoras voltadas aos direitos das pessoas com deficiência e apresentar as 89 iniciativas ganhadoras do Prêmio. O Brincar e outros quatro projetos brasileiros foram contemplados, entre eles o Diversa, do Instituto Rodrigo Mendes, que também é apoiado pela Fundação desde 2017.

“Esse reconhecimento vem coroar os esforços da Fundação Volkswagen em prol da inclusão de pessoas com deficiência, sobretudo por meio de iniciativas que garantam uma escola de qualidade para todos”, afirma Vitor Hugo Néia, diretor de administração e relações institucionais da FVW.

Atividades do projeto Brincar na rede municipal de ensino de São Paulo (Foto: Mais Diferenças)

O Brincar é um projeto de educação realizado em parceria com a ONG Mais Diferenças e a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Seu objetivo é contribuir para o fortalecimento da qualidade da educação, em uma perspectiva acessível e inclusiva, que envolve alunos, comunidade escolar e familiares. Partindo do princípio de que, ao brincar, a criança fortalece vínculos e desenvolve competências essenciais, a iniciativa propõe a criação e a experimentação de práticas pedagógicas inclusivas na educação infantil e incentiva a realização de brincadeiras que envolvam todas as crianças, com e sem deficiência.

Atividade inclusiva na EMEI Josué Ruben, em São Paulo

O Brincar consiste em um conjunto articulado de ações, que envolvem a formação continuada para profissionais de educação infantil, como professores, gestores e demais profissionais, e o acompanhamento de práticas pedagógicas nas escolas, com atenção especial ao brincar com todos. Para oferecer equidade de oportunidades e inclusão educacional de crianças com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades, as atividades são desenvolvidas com o uso de múltiplas línguas, como artes plásticas, literatura, cinema, teatro, música e dança. Essas ações envolvem toda a comunidade escolar, com forte presença das famílias. 

Desde a sua criação, em 2005, o Brincar já beneficiou direta e indiretamente 200.198 alunos e 4.743 educadores. As instituições beneficiadas pelo Brincar – 500 unidades educacionais e 13 diretorias regionais de Educação – contam com assessoria à gestão, formação e acompanhamento, produção de recursos pedagógicos acessíveis e ações de mobilização junto às comunidades, desenvolvidas pela Mais Diferenças, que assumiu o projeto em 2017. Somente em 2019, foram beneficiadas 6.600 crianças, 1,65% das quais possuía algum tipo de deficiência. Mais de 4.200 pessoas participaram das oficinas com crianças e famílias.

O Brincar atua em várias frentes. Com a Secretaria Municipal de Educação, faz o alinhamento do material pedagógico com as diretrizes educacionais e a grade curricular. Com as diretorias de ensino, desenvolve ações articuladas para a formação de educadores e a aplicação das práticas nas escolas. Com as escolas, realiza ações de formação com gestores e professores e de acompanhamento de atividades com as crianças e seus familiares.

Educadora do Brincar promove inclusão em atividade esportiva

“O objetivo central do projeto é pensar em práticas pedagógicas inclusivas para crianças com diferentes deficiências e sem deficiência, a partir de material pensado e desenvolvido junto com os educadores, respeitando-se as especificidades de cada unidade escolar”, diz Carla Mauch, coordenadora da Mais Diferenças. Ela cita como exemplos, atividades inclusivas a partir de um livro, cujas poesias foram transformadas em experiências acessíveis para vários tipos de deficiência, e a tradução de um cardápio da merenda escolar em várias línguas (braile, libras, português, inglês, espanhol, vídeo com imagem dos alimentos).

“Nós pegamos o que parece ser uma impossibilidade e transformamos em uma potência”, observa Carla. “Estar in loco com os profissionais nas unidades educacionais permite aos formadores do projeto observar, dialogar e contribuir com o processo de experimentação, buscando outros caminhos, sempre com foco na realização de atividades e brincadeiras para todos”.

O material e as atividades do projeto são desenvolvidos por uma equipe interdisciplinar formada por educadores e pedagogos com e sem deficiência, gestores públicos, jornalistas e designers, entre outros profissionais. Para ampliar o alcance do projeto e disseminar práticas pedagógicas inclusivas, parte do material desenvolvido pela Mais Diferenças será disponibilizado no site da instituição até o final do primeiro semestre.

O Brincar não é o único projeto inclusivo da Fundação Volkswagen. Desde 2017, a instituição apoia o Diversa Presencial, que oferece formação para profissionais envolvidos nos processos de escolarização de estudantes especiais matriculados em escolas comuns. Idealizado e desenvolvido pelo Instituto Rodrigo Mendes, o projeto também foi um dos vencedores do Prêmio Zero Project 2020.

A iniciativa reúne, no mesmo espaço, representantes das Secretarias de Educação, gestores escolares, professores de sala de aula comum e de atendimento educacional especializado, com o objetivo de construir e ampliar o repertório de educadores da rede pública, gerando modificações nas estratégias pedagógicas e nos próprios sistemas de ensino. As estratégias são organizadas a partir de casos reais, escolhidos pelos participantes. O foco é assegurar a todas as crianças, sem exceção, o direito à educação. O método aplicado considera os diferentes contextos educacionais e tem o trabalho colaborativo como base.

Educadores de São Paulo participam de um dos encontros do Diversa Presencial 2019

A cada edição do Diversa Presencial participam secretarias municipais de educação, que indicam, cada uma, educadores para participar do projeto. No total, são dez encontros entre os meses de março a setembro, em que os participantes compartilham experiências e articulam diferentes práticas com as diretrizes das políticas públicas educacionais vigentes e referenciais teóricos atuais. 

 A edição 2020 está com inscrições abertas até o próximo dia 31. As secretarias de educação interessadas em participar da iniciativa devem registrar seu interesse por meio de formulário de inscrição on-line. Serão selecionadas cinco secretarias, que devem indicar na inscrição oito participantes. Cada município deve escolher seus representantes de modo a contemplar a presença dos seguintes profissionais: educadores de salas de aula comuns; professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE); gestores escolares e membros das equipes técnicas das secretarias de educação. A lista de participantes será divulgada no dia 20 de fevereiro.

Mobilidade

A Fundação Volkswagen foi criada em 1979 com o objetivo inicial de proporcionar educação básica e técnica a colaboradores da montadora e a seus familiares, com recursos dos rendimentos de um fundo constituído pela Volkswagen. No início dos anos 2000, a instituição redirecionou seus investimentos e passou a apoiar iniciativas alinhadas com as três causas em que se apoia – mobilidade social, mobilidade urbana e inclusão de pessoas com deficiência – e com a sua missão, que é “promover transformações positivas que impulsionem melhorias na educação e que mobilizem cidadãos para atuarem como protagonistas do desenvolvimento de comunidades”.

De 2003 a 2017, os projetos educativos desenvolvidos e apoiados pela FVW beneficiaram direta e indiretamente 2.128.476 alunos da rede pública; 25.471 educadores; 8.066 escolas e instituições; 27 Estados e 1.118 municípios. Juliana Santana Mello é uma das beneficiadas pelo apoio da Fundação a projetos educativos. Ela é aluna do Instituto Baccareli, uma entidade sem fins lucrativos que atende mais de 1.000 crianças e jovens oferecendo, gratuitamente, aulas canto, de instrumentos e de musicalização infantil. O Instituto foi criado em 1996 para transformar a vida dos moradores de Heliópolis, depois que a comunidade foi praticamente destruída por um incêndio de grandes proporções. A Fundação patrocina o projeto, que também mantém a Orquestra Sinfônica de Heliópolis, formada pelos alunos do instituto. “A partir do momento que eu descobri a minha voz e o que eu sentia pela música, comecei a estudar mais, porque eu queria continuar com as aulas do Baccarelli”, diz Juliana.

Por meio do projeto Pró-educar Brasil, a Fundação Volkswagen oferece bolsas de estudos para a formação universitária de professores da rede pública do Nordeste, que ainda não têm diploma de Ensino Superior. A região agrega quase metade dos docentes sem diploma em sala de aula, de acordo com dados do Ministério da Educação, e as bolsas para cursos de Licenciatura e Graduação Plena são oferecidas exclusivamente aos profissionais da Educação Infantil e do Ensino Fundamental dessa região do Brasil.

Jovens participam do programa Cidadania em Movimento, voltado à mobilidade urbana

Em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, o Centro Paula Souza (ETECs) e o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), a Fundação VW desenvolveu o projeto Cidadania em Movimento, voltado à educação para o trânsito e à mobilidade urbana, uma das causas abraçadas pela instituição. As formações incluem oficinas, palestras e workshops para educadores, gestores públicos e estudantes. Entre os temas trabalhados nesses encontros estão: segurança viária, prevenção a acidentes, protagonismo cidadão, planejamento urbano, cidades inteligentes e sustentabilidade nos meios de transporte, entre outros. O objetivo é incentivar a aplicação da teoria na prática, por meio de ações que contribuam para solucionar desafios reais da mobilidade urbana.

Em 2019, o Cidadania em Movimento substituiu o projeto Jogo da Vida em Trânsito, com novas metodologias de aprendizagem e formatação mais ampla, diversificada e inclusiva.

Empreendedorismo social

Os projetos da Fundação voltados para a comunidade beneficiariam diretamente, de 2008 a 2017, mais de 947 mil pessoas e 4.739 instituições em 24 Estados e 219 municípios. Entre eles está o Costurando o Futuro, que promove o empoderamento e a autonomia de profissionais de costura por meio da capacitação. O projeto trata de temas como empreendedorismo, planejamento de negócios, comunicação, vendas e trabalho em rede. O objetivo é articular e compartilhar conhecimento para o desenvolvimento pessoal e profissional desses empreendedores, de modo a torná-lo aptos a atender as demandas do mercado com eficiência.

Nany Martins, cofundadora da Charlotte Arte e Costura e participante do Costurando o Futuro

Os participantes do projeto, realizado em parceria com a Aliança Empreendedora e a Rede Asta, integram uma rede de cooperativas de costura que cria, confecciona e vende itens de moda a partir de aparas de tecidos e outros materiais descartados pela fábrica da Volkswagen. O projeto já capacitou 434 empreendedores, reutilizou 76 toneladas de tecidos e está gerando renda a integrantes de ambos os sexos. “Porque foi-se o tempo em que a mulher ficava só em casa, ou que costurar era só para ocupar o tempo e gerar um dinheirinho. Hoje, nós estamos preparadas para empreender e atender grandes empresas”, diz Nanny Martins, participante do projeto e cofundadora da Charlotte Arte e Costura.

O Carretas do Conhecimento é outro projeto da FVW que estimula o empreendedorismo nas comunidades. Trata-se de escolas móveis, que contam com infraestrutura completa para a realização de cursos de aperfeiçoamento profissional, voltados à empregabilidade, por meio de atividades teóricas e práticas nos laboratórios e oficinas. No ano passado, o Carretas do Conhecimento estacionou no Paraná e em São Paulo, em parceria com os Senai locais.

Escola itinerante está equipada com laboratórios, salas de aula e oficinas

A Fundação adotou como slogan a frase “Conhecimento que move pessoas”, que resume o conceito de mobilidade que permeia todas as suas causas. “É através da formação de educadores e gestores, é através da preocupação com o trânsito, com o empreendedorismo, com o resgate da cidadania, que pensamos a mobilidade. É criar o movimento. É inspirar o movimento. É fazer com que a sociedade entenda que é necessário movimentar-se: filosoficamente, emocionalmente, fisicamente”, explica Daniela de Avilez Demôro, diretora-superintendente da Fundação Volkswagen. “É através desse movimento que a Fundação almeja melhorar, prover e inspirar aqueles que conosco trabalham”, conclui.

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